quarta-feira, maio 30, 2007

..outra vez...


Don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts, sometimes...

(não se deixe levar, todo mundo chora e todo mundo se machuca, às vezes...)

Everybody hurts- REM

Será que alguém já parou pra pensar nos sinais e sintomas que um novo relacionamento provoca no ser humano? Alguém já percebeu que paixão é um troço meio esquizofrênico? E não é que um dia, estudando Psicopatologia, eu me dei conta de que o radical da palavra patologia , páthos, é o mesmo da palavra paixão, e não por coincidência, também significa passividade. Eu sabia que essa história de amor tinha um pezinho na doença. Deve ser por isso que a criatura apaixonada se despersonaliza, fica meio demente, perde o bom senso, sei lá. Ai, já não basta todas as reações fisiológicas que vêm no pacote, a pessoa ainda tem sua atividade cognitiva totalmente alterada, agindo de modo estranho e pouco habitual, como se tivesse acabado de se submeter a uma lobotomia pré-frontal. Clássico!!!

Mas também não dá pra crucificar e nem jogar pedra em ninguém, afinal de contas, quem nunca se rendeu ao charme de alguém que te deixou tonto, sugou todo seu afeto e depois te deixou de coração partido, cantando Everybody hurts, do REM, no chão do quarto escuro? (refiro-me ao que acontece, na maioria das vezes, para os pobres mortais que não tiveram a sorte de encontrar o chinelo velho pro seu pé cansado)

O quadro fica infinitamente pior quando o sujeito percebe, antes de você, que tudo o que aconteceu foi bom e intenso, mas não vai dar em nada. E que a culpa não é sua, o problema é com ele. Outro clássico das desculpas do lado menos interessado num compromisso sério.

Então, chega o momento em que você se humilha, esperneia, perde os cabelos, as unhas, peso, dignidade, jura por tudo que há de mais sagrado nunca mais gostar de ninguém e faz planos de entrar pro primeiro convento que achar no caminho. Não importa, seu coração não dá a mínima pra seus surtos, você irá se apaixonar novamente porque a busca é uma tendência e na primeira oportunidade, como por hábito, você irá fazer tudo errado. Não adianta, somos mulheres cuja carência e comportamento foram forjados numa sociedade machista. Se não tomarmos uma iniciativa, vamos morrer tentando encontrar um par, não pra amar e ter reciprocidade, mas pra nos considerarmos completas e dignas de olharmos pra cara das pessoas sem ter vergonha de existir. Ai nos submetemos aos encantos e desencantos de qualquer girino na esperança de que estes tornem-se ao menos sapos, já que príncipe não existe mais, ou nunca existiu, vai saber se não é mais uma dessas idéias que nossas mães colocam na nossa cabeça quando ainda se é criança. Eu queria que o meu tivesse longos cabelos, usasse jeans bem surrado, all star, adivinhasse meus pensamentos (só os divulgáveis) e fizesse lindos solos de guitarra na minha janela, mas já perdi as esperanças faz tempo.

Acontece todos os dias, em todos os lugares do planeta e aquela máxima que diz: “antes só que mal acompanhada” não funciona pra todas as pessoas nem em todos os momentos. Quando o assunto é namoro então, algumas mulheres e homens (uma minoria, é claro) esquecem da existência de uma coisinha chamada auto-estima e preferem um milhão de vezes uma péssima companhia ao marasmo da solidão. E é por isso, que não pela última vez, você irá se deparar com esta situação, ora cumprindo o papel de protagonista, ora de antagonista. É natural, a gente vai se frustrando e mudando de idéia e de atitude. Muito simples:

"Encalhada, eu??? Nunca minha filha! Ele pode até me humilhar, me trair, me depreciar, mas eu tenho alguém por mim, ta!? Um homem pra chamar de meu. Não sou que nem essas mal amadas que vivem por ai enchendo o peito e falando do orgulho de ser independente. E o que me importa a independência? Eu não estou só nesse mundão não. Tá pensando o que? Tudo bem que não há um dia que ele não me faça verter lágrimas de sangue, mas pelo menos eu tenho por quem chorar, ou você, sinceramente, acha que há mesmo muita vantagem em ter dignidade solteira e mal falada pelos amigos casados? Eu não quero ser vítima da piedade de ninguém. Valorize-se você, se achar justo, minha amiga, mas quando estiver na TPM, toda carente, não me venha choramingar, reclamando por um abraço quente e musculoso. Vire-se com sua dignidade! E tenho dito!"

sábado, abril 21, 2007

Sobre "relacionamentos informais"


Já passou, já passou. Quem sabe outro dia...

Sereníssima- Legião Urbana.


Na era dos relacionamentos descartáveis eu tentei outras possibilidades, as minhas pelo menos, e arrisquei ser alguém que satisfizesse mais a mim e aos outros. O lema era: sem compromisso, sem expectativas...Carpe Diem!!!. Não preciso nem dizer que não deu certo. A idéia era não esperar nada, nem fazer cobranças, já que não se tratava de algo formalizado. Ficou tudo na teoria, na esfera das suposições. Eu me atrapalhei ao fingir ter a autoconfiança que nunca possuí e minha insegurança me desmascarou no ato. Mostrei ser uma canastrona (o feminino de canastrão é mesmo canastrona???) de quinta ao tentar demonstrar desapego. Não consegui levar muito á serio os pré-requisitos básicos pra manter um relacionamento informal. No fim das contas não foi muito funcional, mas experiência de vida é experiência de vida. Há certa altura, eu já não sabia mais qual era o objetivo de tudo aquilo, afinal, qual é o propósito de manter um relacionamento no qual não se investe?

É muito cômodo pra parte mais preguiçosa ou (supostamente) descomprometida não se entregar totalmente, não ceder tudo o que pode, nem investir tudo o que tem disponível. “Relacionamento sem aposta é improdutivo e sem valor”. Eu repito isso todos os dias como um mantra, mas mesmo assim não consegui acreditar piamente que possa dar certo um dia. Acho que ainda sou muito egoísta e covarde pra apostar em algo que possa minar minhas defesas tão bem construídas. Eu tentei e não consegui porque simplesmente não quero abrir mão do que já tenho. Enfim, foi uma possibilidade frustrada de viver de outra forma e possibilidades desfeitas sempre geram luto (que já foi elaborado com sucesso, acho!).

A gente acaba inventando uma série de pequenos empecilhos, que de maneira eufêmica, chamamos de critérios. Eu ainda acho que eles são necessários, nem que seja pra orientar certas atitudes. Mas o pior de tudo é se ver burlando as regras que você mesma criou só pra não ficar sozinha e é por isso que flexibilidade e jogo de cintura são medidas urgentes nesse momento. (utilizar esse argumento pra racionalizar o fato de que você feriu seu próprio código de honra pra estar acompanhada também é muito eficaz!) Relacionar-se é um risco, apaixonar-se também, é estar passível a submeter-se a tudo o que sempre criticou e eu que arrisquei poucas vezes na vida, continuo esperando o momento adequado. Se isso é saudável, eu não sei, mas é seguro. A questão é que meu coração é relativamente inexperiente e até teimoso, mas aprende rápido e é resiliente (até o momento!). Não desistiu de tentar, só age com cautela. Sei que existe algo latente aqui, algo adormecido, louco pra ser despertado. Deve ser a psicose.

Mas, enfim...

Pensando bem, acabo de corroborar minha teoria de que nem todo mundo consegue ser bem resolvido em todo tipo de relacionamento. No campo amoroso sou um fiasco e não me envergonho de admitir que não aprendi durante minha vida simplória a lidar com certas situações, a ser serena e dizer (e fazer) sempre a coisa certa pra manter os vínculos. Assumo minha parcela de responsabilidade e minha falta de habilidade com o sexo oposto. Se alguém conhecer algum curso do tipo: "Aprenda a cultivar um romance sem enlouquecer a si e aos outros". Por favor, avisem!

domingo, março 11, 2007

"Tentando fazer o certo em tempos incertos"

Aquele estágio pelo qual choraminguei o ano passado inteiro finalmente saiu. Se por um lado estou aliviada, por outro aquele velho sentimento de inutilidade foi substituído por uma série de outros que vão desde a insegurança desmedida, passando por processos de somatização e crenças disfuncionais ativadas. Eu não abro mão do meu título de eterna insatisfeita por nada. E não falo isso cheia de orgulho...eu definitivamente não me orgulho de ser uma histérica, o que me conforta é o fato de eu não estar só no mundo.

Experimentar essa diversidade de sentimentos realmente é um fator que leva ao crescimento (ao menos eu espero com todas as minhas forças). Estou treinando minhas habilidades sociais como estudante de psicologia, como pessoa que pode ser paciente e capaz de realizar seu ofício da melhor maneira possível, como “figura de autoridade” que eu não quero ser. Além de tudo isso, ainda tenho que fazer um exercício interno diário pra me livrar dessa insegurança que ainda vai me matar. No mais está tudo certo, é só uma questão de adaptação.

Lidar com pessoas definitivamente não é fácil e eu levei uns quatro anos pra ver na prática como era. E se as pessoas estiverem numa faixa etária de 2 a 15 anos, o trabalho torna-se significativamente mais difícil. Um dia desses uma criaturinha de três anos me perguntou se eu já tinha cem anos. Levando em conta a falta de maturidade cognitiva e a referencia que ela tem do tamanho de um adulto, relevei o comentário e segui em frente. Mas num outro belíssimo dia, um moleque de treze anos me perguntou se eu gostava de rock quando era mais jovem. Fiz cara de samambaia como se não tivesse entendido a parte do “quando era mais jovem”. (como assim??? Eu sou MUITO jovem! Quase um bebê). Foi então que ele jogou essa bem na minha cara: “Você já deve ter uns 31 anos, não?”. Foi um soco no estômago. Só não sei se o pior foi isso ou a cara de estupefato que ele fez quando disse que tinha só 24 anos.

Levando em conta as mesmas referências de cognição que já havia citado, nesse caso, levei pro lado pessoal. (hehe). Pra completar a cena bizarra ele afirma no auge da sua experiência infanto-juvenil: “Tia, você é muito tímida, dá pra perceber de longe!”. Ótimo!!! Minha insegurança anda sendo detectada por menores de idade ao redor do mundo. Ô coisa linda de Deus! É por isso que eu tenho medo deles, principalmente por que tenho dificuldade de me reconhecer nas atitudes que vejo. Tenho uma impressão estranha de não ter vivido minha adolescência. É por essas e outras que estou seriamente tentada a fazer um curso de teatro e de freqüentar uma fonoaudióloga, pra ver se eu aprendo a me fazer escutar.

Bem, entre uma frustração e outra vou tentando me acostumar com essa vida de responsabilidades adultas e confesso que estou um tanto assustada com certas escolhas e com essa dinâmica maluca de ser “dona do meu nariz”. Não é fácil ver as pessoas indo embora por também estarem assumindo outros significados e aspirações pra própria vida. Acho que esse é o momento em que cada um toma seu rumo, o que for mais conveniente e mais satisfatório. Estou numa fase de luto do tempo que passou. Sinto saudades da época em que não era necessário me afastar das pessoas que gosto pra poder crescer.

domingo, fevereiro 25, 2007

Quando as coisas não fluem na sua cabeça vazia...

"Todo carnaval tem seu fim...e é o fim....e é o fim..."


...Graças a Deus...
Não tenho nada a declarar sobre meu carnaval pelo simples fato de que absolutamente nada aconteceu. Fiz tudo o que já havia dito que iria fazer (ou que não iria fazer): não assiti aos desfiles nem ao carnaval de Salvador pela tv. Não assisti ao espetáculo patético daqui e curti muita preguiça, exceto nos momentos em que criava coragem e pegava algo de útil pra ler. Enfim, foram cinco dias que alternaram momentos belíssimos de sentimentos de inutilidade e indolência, aliados a maldizeres contra a própria sorte e uma vontade enorme de que fizessem excursões pra Marte nesse período, inferindo que lá, eu me sentiria em casa.
No mais, o de sempre....caos na vida real, aquecimento global, violência urbana, insatisfação pessoal, ignorância alheia e própria e as agruras da convivência em sociedade capitalista.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Sobre questões estéticas e rechonchudas!


Olha que não ter nascido com uma herança genética favorável é degradante. Essas batalhas colossais contra minha auto-estima ainda vão me matar, por que não há nada mais incômodo do que perder a identidade pra um rótulo e virar ponto de referência.

Você está na sua, de bem com o universo, sem fazer ou desejar mal a um ser humano mesquinho nesse mundo, ai chega uma fulana e diz:

_ Nossa! Tenho uma amiga que é a tua cara. Ela é assim, branquinha, tem o mesmo sorriso e é gordinha, exatamente como você!

(Que coisa linda! E quem te perguntou, sua vaca!?).

Ou então, com toda grosseria e falta de bom senso que ainda pode haver num cidadão, você é obrigada a escutar a seguinte frase num tom de “quem avisa amigo é”, no auge da sabedoria humana:

_ Preciso te dizer uma coisa. Você já chegou ao limite do peso que uma mulher precisa ter pra ainda ser considerada bonita. (muy amigo!!!).

Eu poderia ter ido dormir sem essa. Senti-me como se a minha auto-estima tivesse sido nocauteada no primeiro round com um soco de direita bem no supercílio.

Eu queria informar aos nobres cavalheiros e damas que eu não era assim não. Eu nunca segui o padrão “refugiada do holocausto”, mas também não precisa me fazer sentir uma aberração cromossômica., como se eu tivesse sido um erro estético que precisa ser eliminado.

Eu quero mesmo é ser atraente e linda! Cada dia que passa, vejo que nasci na época errada, por que se eu vivesse na Renascença, eu ia era ser modelo de artista famoso e um quadro com minha figura valeria milhões! É por isso que eu sempre digo que tudo é questão de perspectiva, mas enquanto as que me são apresentadas são totalmente adversas, tento ir como todo mundo, enquadrando-me no modelo. Desculpe, mestre João Paulo, mas esse troço de não ser um homem de massa e sim e um homem coletivo não tá funcionando no momento!

sábado, fevereiro 10, 2007

Sobre as pré- adolescentes e o capitalismo*

Conviver com pré-adolescentes é uma coisa realmente curiosa, principalmente quando se trata de meninas. Não há nada que me irrite mais do que o jeitinho afetado e precoce, as bolsinhas da kipling (ouvi dizer que é o último grito da moda, top de linha entre as mais- mais.) a tira-colo, todas vestidas iguaizinhas, como se tivessem sido produzidas em série. Sem contar as recepções escandalosas ao encontrar uma amiga, com aqueles gritinhos estridentes e insuportáveis e todo estereótipo já conhecido por todos e que eu detesto. Eu não tenho um pingo de empatia por essa espécie de ser humano, o que é deplorável da minha parte. Se eu pretendo ser uma estudiosa do comportamento, então, cadê meu senso de profissionalismo? É essa sensação de “ter que ser” um ser humano exemplar e compreensivo que me mata nas vezes que não consigo.

Sinceramente, eu não lembro de ter sido tão chata na puberdade, mesmo analisando meus arquivos mais remotos. Deve ser só uma questão cultural. Ou será que eu que estou ficando velha e ranzinza, a ponto de sentir inveja da idade que não tenho mais?
NÃO! Definitivamente, não tenho inveja delas, mas estou tentando ser mais tolerante por uma exigência da profissão que escolhi, só não quero recebê-las em meu consultório tão cedo! (o que eu ando aprendendo na faculdade, hein? E a tal da consideração positiva e incondicional? Nunca acreditei nela realmente, pelo menos não na parte que se refere à incondicionalidade...mas estou me trabalhando, juro!).

Eu sei que é só uma fase e que elas só querem chamar a atenção por algum motivo, torpe ou não, mas ás vezes me pergunto se não existe um plano da engenharia genética pra fabricar adultos cada vez mais cedo, pra que haja mais gente produzindo pra manter o capitalismo (olha a loucura da criança aflorando novamente!). Tem alguma coisa nebulosa embutida na alimentação dessas criaturas, afinal, já não se vê por ai meninas de dez anos brincando de boneca. Com quantos anos elas estão menstruando mesmo? Oito? Enfim, a questão não são elas, sou eu! Eu já deveria saber que a expressão: “os incomodados que se retirem” faz todo sentido pra meu sentimento de repulsa por elas e se é assim, ou eu enfrento a realidade ou me retiro. Não creio que seja o caso. Afinal, tanta frustração vivida em 24 anos me ensinou ao menos a ser resiliente. Que venham as pré-adolescentes, então, com todos seus mimos e atitudes antipáticas, eu cuido delas!!!!

sábado, fevereiro 03, 2007

Sobre preguiça e carnaval...ou preguiça no carnaval!

“Vamos comemorar como idiotas todo fevereiro e feriado”
LEGIÃO URBANA- CD DESCOBRIMENTO DO BRASIL



Depois de uma eternidade longe desse lugarzinho acolhedor e depois de toda preguiça curtida nesse período de hibernação, venho aqui solenemente pedir desculpas aos poucos leitores destas besteiras escritas pelo abandono deste blog. É que esse período de férias me deixou improdutiva e meio burra, sei lá, não consegui me mobilizar pra escrever uma linha sequer. E agora que o carnaval se aproxima estou sem saber o que fazer da vida já que todos os meus amigos irão viajar e eu ficarei sozinha nessa cidade tosca, fazendo e pensando coisas tão toscas quanto. Eu tenho que estudar, perder peso e tenho que ficar gostosa até o inicio das aulas, por que já meti isso na cabeça e não há quem tire. Mas há também em mim uma falta de iniciativa que me deixa paralisada e com muita raiva do que eu sou.

Enfim, vamos deixar de lengalenga que das minhas insatisfações pessoais tá todo mundo cansado de saber. O que eu quero saber mesmo é como eu vou enfrentar as festividades carnavalescas que vêm por ai.Não há nada que me deixe mais irritada do que os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. Odeio aquela vinhetinha chata da Globo e detesto ver mulher nua com o peito todo pintado na tv. Desculpem a falta de sensibilidade cultural mas eu dispenso esse tipo de tradição como representante da minha nacionalidade, sem contar que aqueles enredos são muito chatos.Também detesto o carnaval de Salvador por que eu queria estar lá. O que é de lascar é ter que ver pela televisão e se eu tivesse uma turma bem grande pra me acompanhar não pensaria duas vezes. Só não sei se agüentaria horas intermináveis de percurso e axé 24 horas por dia no pé do ouvido, mas depois de estar no meio da bagaça tudo é uma possibilidade animadora.

Mas o que mais me deixa deprimida e de mau humor é o carnaval teresinense com seus desfiles meia-boca, as brigas sem sentido entre as escolas de samba enfeitadas com seus carros alegóricos ridículos, feitos de papelão, isopor e purpurina barata, embalados por enredos de quinta categoria. Se pelo menos investissem na porcaria do espetáculo eu ficaria menos revoltada. Se bem que alguém deve tirar proveito disso e conseguir se divertir. Sorte de quem consegue, eu desisti. E eu não vou pedir desculpas por descer o sarrafo na minha terrinha no que se refere a esse assunto, por que bom senso é necessário sempre e falta de senso de oportunidade tem limite. E não me venham com esse papo de cultura popular que existem outras coisas bem mais proveitosas que esses eventos.

Só pra não dizer que eu detesto tudo no carnaval, adoro o hiato de quatro dias longe das obrigações da vida adulta e ficar de cara pra cima sem fazer absolutamente nada é compensador no fim das contas. E de ficar de cara pra cima eu entendo...e adoro.Estou sinceramente envergonhada pela confissão de minha indolência, mas há prazeres na vida que eu não consigo evitar. Há quem seja viciado em compras, cocaína e chocolate, meu vício é a preguiça descarada.

Bom eu tentei falar de outra coisa, mas a preguiça sempre permeia meus pensamentos e ações. Mas eu vou mudar, eu juro...estou começando agora!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

E tudo recomeça...

Mais um ano inteiro pela frente, repleto de possibilidades e de novos planos. Mais um ano de agonia na expectativa de um estágio ou de ganhar milagrosamente uma bufunfa gorda na megasena, ou quem sabe ainda um restinho de esperança menos pretensiosa de que aquela grana que a mamãe tem pra receber na justiça do trabalho há anos saia . No segundo dia do ano minha rinite alérgica já veio me desejar um feliz ano novo e me lembrar q ela está aqui, firme e forte, me fazendo espirrar até meu cérebro mudar de lugar dentro do crânio e meu nariz ficar tão vermelho a ponto de eu parecer uma das renas do Papai Noel. (pras festividades da época, é até sugestivo!).

Nesse ano não desejei nada, só relaxei e deixei o primeiro dia do ano chegar, isento de promessas que eu não possa cumprir. Acho que esse é o segredo, pois todo ano prometo estudar mais e comer menos, ser menos carente e mais legal, ser mais extrovertida e decidida e menos bicho do mato e vacilante e SEMPRE prometo emagrecer e NUNCA consigo, e este ano, justo este que não prometi nem ser uma boa cristã, comecei com o pé direito e dois quilos a menos. (muito reforçador!). Também estreitei os laços com meu avô, não que a gente não se falasse mais, mas não conversava mais. Há muito tempo deixei de escutar o que meu avô tinha pra dizer e ouvi cada palavra numa conversinha boa debaixo de chuva fina, e mesmo não concordando com mais da metade do que ele dizia, ouvia tudo com parcimônia e atenção, afinal quem sou pra querer mudar uma vida inteira de crenças que, apesar de tudo, são o que ainda o mantêm de pé. E nem precisei prometer nada. Eu só fiz.

É certo também que comecei o ano mais pobre, pois não tinha crédito nem pra desejar um ano novo mais ou menos pro pessoal, mas pensei em cada amigo querido, cada ente amado e pessoas que eu só conheço virtualmente, mas que de alguma forma estão próximas e desejei coisas boas e realizáveis pra todos eles (pra compensar os pedidos que não fiz pra mim) e pensei em como eles fazem da minha vida sem graça (às vezes) um lugar muito melhor e mais colorido, um lugar onde eu veja algum sentido pra minha existência. E não repensei sobre nada do que fiz ou do que se passou comigo. Tava com preguiça de ruminar lamentações, além de que coisas boas vêm á mente sem que precisemos fazer muito esforço, portanto, tudo o que fiz foi olhar para os ponteiros do relógio e esperar dar meia noite, a porta de entrada para o primeiro dia de novos projetos. Pela primeira vez não senti nada estranho, não senti nada mudar dentro de mim, nenhuma pontinha de frio na barriga ou expectativa, era só mais uma meia noite e mais um 1º de janeiro.
.
Mesmo não acreditando mais em superstições, principalmente as de fim de ano, resolvi dar o braço a torcer e virei o ano toda de cor-de-rosa
, parecendo um sorvete de groselha gigante. Tudo isso por que, segundo minha melhor amiga, preciso arrumar um namorado este ano, custe o que custar (mesmo que o custo seja meu bom senso!), o que pra mim é um pedido questionável, já que não sei o que vou encontrar pela frente. O fato é que ainda não descobri se os homens são um mal necessário ou um bem desnecessário... e vou continuar sem saber, pelo andar dessa carruagem de abóbora! Á meia noite a mesma amiga me ligou pra desejar “tudo de bom” e me avisou que na verdade rosa trazia amor universal e que eu deveria estar usando vermelho. Àquela altura do campeonato já não fazia mais diferença...tanto fazia a cor da roupa que eu tava usando, se eu não fizer por onde não vou conseguir seduzir nem o carteiro.
Enfim...o ano tá só começando...vamos ver no que vai dar, sem ansiedade ou desespero pra coisa alguma...portanto...esperemos...apesar de eu detestar esperar, mas esperemos!



domingo, dezembro 17, 2006

Considerações a respeito das minhas impressões sobre o amor!

Este texto é só pra fazer algumas considerações sobre o texto anterior e pra dirimir (aprendi sábado na aula de avaliação e aconselhamento...hehe) qualquer dúvida ou mal entendido em relação à minha opinião sobre romance e amor. Desculpem se estou sendo repetitiva, mas senti necessidade de colocar os pingos nos is, como dizem por aí.

Pois bem! Eu queria declarar que eu acredito no amor SIM e que não estou fechada para ele de forma alguma. Também não estou dizendo que não sou passível de incorrer no mesmo erro (de acordo com meu julgamento). Só acho contraproducente e disfuncional viver desta forma, ora mais! Um casal é feito por duas pessoas distintas e individuais, certo? Sendo assim, não faz o menooorrrr sentido querer ser uma coisa só, mesmo por que cada um foi construído de um jeito e tem suas singularidades. Se seu relacionamento chega a um ponto em que não se sabe mais se você é seu amor ou se ele é você (bem clichê de letra de música romântica, né?), PRA MIM já é avacalhação. Sabiam que o fato de uma pessoa perder a própria fronteira de ego e julgar misturar-se a outra pessoa é uma característica esquizofrênica? Vai ver que é por isso que dizem que ficamos loucos de paixão e coisa do gênero...vai saber!

Pois é, eu não estou dizendo que não possa ficar louca, só estou dizendo que neste momento, enquanto ainda estou consciente e (supostamente) sã mentalmente, não quero ter que achar que eu e meu futuro amado teremos que ser necessariamente uma pessoa só. Eu posso ter minha identidade preservada e ainda assim me entregar plenamente a esse sentimento avassalador desejado por tudo que é ser humano nesse planeta. Eu desejo amor, mas não desejo submissão. Eu quero um companheiro e não um carcereiro (ih..rimou!). Mas é o que EU desejo e desejar não custa nada. (quer dizer, custa um namorado se você desejar alto demais). Também não precisamos aceitar qualquer porcaria só pra não ficar sozinho, não é ,meu povo? Cadê nossa dignidade? A gente tem que se valorizar!

Tá! Pode ser que o tiro saia pela culatra e eu me pegue fazendo tudo o que abomino num namoro. Abandone meus amigos, deixe de gostar das minhas coisinhas, passe a ouvir pagode, não saia mais de casa se ele não deixar, só por que ele me completa em todos os sentidos. E pode até ser também que eu veja todo sentido do mundo nisso. Mas quando o “amor da minha vida”, a “razão do meu viver” (e podem acreditar que há outras razões pra minha existência) me der um belo pé na bunda e eu não tiver mais a quem recorrer, eu direi em voz alta e magoada: É! não fez o menor sentido!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Das minhas impressões sobre o amor!

Por que será que tudo o que presencio por aí só corrobora minha idéia de que amor ou paixão (sei lá, tanto faz!) só aliena e aprisiona? O que é que faz as pessoas abdicarem totalmente de suas existências pra viver em função de outra pessoa? Será que não existe nenhum outro jeito de trocar afeto que seja mais saudável e mais sereno? Ainda não conheci na prática, nem minha, nem dos outros, uma maneira menos estressante de se relacionar, tudo o que vejo só confirma um fato: amor (pelo menos do jeito que as pessoas o tratam) traz anulação!

Sinceramente isso não me é conveniente e talvez seja esse o motivo de eu ser tão complicada, por que não quero abrir mão de mim pra viver a vida de outra pessoa. Amar traz outras atribuições, é outra coisa (ao que parece inexistente!) que não precisa interferir na autonomia de ninguém. Só acho desnecessário certas atitudes de despersonalização e perda de identidade.

Tá certo que assisti novela mexicana demais na vida e gosto um bocado de bolero, mas nem por isso acredito piamente nessa fantasia criada nestes folhetins e jargões ao estilo Luis Miguel em No me platiques más que diz:... y que nacimos el mismo instante en que nos conocimos... (tradução desnecessária, né?) não rola comigo e nem por isso me sinto menos romântica que ninguém, é só uma questão de coerência. Afinal eu tenho 24 anos de idade, são pelo menos 8760 dias de existência nesse mundão antes de conhecer “minha outra metade”, não faz o menor sentido eu zerar tudo e recomeçar a viver de outro modo. No mínimo, daria um trabalhão. Se já é difícil conviver com o que eu me tornei, imaginem se eu tivesse que construir tudo de novo. Façam- me o favor!

Mas quem sou eu pra criticar os enamorados deste planeta, não é mesmo? Logo a pessoa menos indicada, a que jamais soube na prática como viver nessa dinâmica amorosa, a que jamais proferiu palavrinhas melosas ou apelidinhos fofinhos e açucarados do tipo: moxim (variação de amorzinho, só que beeeemmm mais meloso), neném, cajuzinho (os clássicos) dentre milhões que não escrevo aqui por que estou com preguiça.

Apesar da visão pessimista (eu diria realista..hehe) e da opinião ácida, acredito no amor, mesmo nos que existem de maneira disfuncional e desejo aos que, como Lulu Santos, consideram justa toda forma de amor (e eu também considero, no fundo!) que consigam mesmo viver satisfatoriamente de acordo com as crenças que lhes forem mais convenientes. Talvez eu esteja precisando me apaixonar e descobrir se romantismo exagerado e dependência fazem de mim um ser humano mais feliz e sensível (será?)

Acreditar que os vossos romances podem dar certo pra sempre talvez seja o primeiro passo, o voto de confiança necessário pra impulsionar os sonhos compartilhados. Vai saber...um dia a gente acha um jeito de adequar nossas exigências em algum(a) santo(a) que saiba como satisfazê-las ou então muda os critérios...sei lá, a gente vai levando, ora descrentes, ora otimistas, do jeito que der...e chega de tanto blá blá blá sem fundamento!


domingo, dezembro 10, 2006

Sobre AINDA querer ser uma diva!


Continuo felicíssima com meu cabelo “novo”, radiante e livre para voar (não fazendo alusão a nenhum animal da família dos galináceos). Agora a meta é, como já havia declarado, diminuir o sobrepeso e seguir minha caminhada rumo á conquista do Universo (masculino, preferencialmente, mas não exclusivamente! Claro que pra isso preciso vencer minha ansiedade cruel e a preguiça que guia este corpo desde o dia em que ele veio ao mundo.

Então, saladas suuuuperrrr saudáveis e deliciosíssimas (leiam em tom de ironia, por favor!) ocuparão todo espaço no cardápio, no lugar de tudo o que houver neste planeta de mais gostoso e engordativo (infelizmente!). Adeus à tudo o que “engorda e faz crescer (a barriga)” e boas vindas ao perfil
“sou- da- geração saúde-mente sã- corpo são” ou coisa parecida.

Ironias á parte, ando mesmo com uma sensação de leveza (literalmente!). É mesmo de impressionar como pequenas iniciativas promotoras de mudanças simples podem influenciar muito na melhora de sua rotina e auto-estima. Eu ainda não me rendi á parte suja do negócio (refiro-me aos exercícios físicos), mas é só uma questão de tempo (livre).

Aproveitando o ensejo, queria só dar um recadinho curto e grosso aos “cavalheiros” mais desavisados: as mulheres sabem muito bem, por questão de auto critica exagerada, quando estão acima do peso. Dizer a uma mulher que ela está gorda, além de ser indelicadeza desnecessária e um fato óbvio, é uma bela e plausível justificativa pra assassinato.

Enfim, não vou mais esperar. Deixarei que a diva que se encontra oculta nesta alma saia do armário velho e mal iluminado em que habita e arrase!!!


Nem que seja por quinze minutos.. .

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Sobre meus sonhos de ser uma diva!!!


"We've got the power...We are divine"
" Nós temos o poder...nós somos divinos(as)"
HELLOWEEN

É de impressionar como o cabelo pode ser a desgraça e a redenção de uma mulher!!!!
Ter acesso ao Templo da Beleza (me refiro ao salão de beleza) pelo menos uma vez por mês não é futilidade, é uma necessidade, chega a ser questão de saúde mental, meu povo!

Não há nada mais libertador para uma fêmea que tenha nascido com uma certa desvantagem na hora do cruzamento genético (tipo; Aa x Aa) do que poder soltar seus cabelos sem sentimento de culpa ou de atentado violento ao bom senso. Refiro-me àquelas que ficaram com o quarto defeituoso da herança. (esquecendo os eufemismos, as “portadoras de cabelo ruim”).

Ontem fui ao salão e deixei que a “química” me levasse, não me importando com o cheiro ruim daquele treco, nem com quantas horas eu teria que ter meu cabelo puxado e repuxado, eu queria era resultado! Eu nem perguntei se o troço que a mulher passou no meu cabelo tinha formol aldeído e afins e mesmo que tivesse, não queria nem saber...eu queria era ficar bonita e ser desejada. Eu pensei que o máximo que poderia acontecer era ter que comprar um monte de pote de produto para cabelos quimicamente tratados (que é o meu) ou uma peruca, dependendo da gravidade do resultado.

O fato é que eu queria um dia ser tão bonita que pudesse esnobar até o Ricky Martin...se bem que eu jamais esnobaria o Ricky Martin, nem em nome da minha dignidade e se bem que pelos boatos que circulam, possivelmente ele não me desejaria nem se eu fosse a cara da Rachel Weisz...mas enquanto for só especulação existirá esperança neste coração...a gente tenta, a gente sempre tenta!

Tá certo que eu não faria qualquer coisa em nome da beleza. Talvez não emagrecesse até parecer uma refugiada do holocausto com tanto osso á mostra (é claro que isso não é bem uma escolha e nem depende do controle dessas pobres meninas), nem venderia minha alma pro Satã (de jeito nenhum, DEUS me livre!), mas poderia penhorar um braço numa mesa de pôquer. Pensando bem, sem um braço eu não serviria pra muita coisa, principalmente se fosse o direito e nem sei se ficaria muito atraente...mas viva a diversidade, uma mulher pode ser sexy mesmo sem um braço. (eu acredito nisso!). Me ocorreu agora também que eu não faço idéia de como é que se joga pôquer e o que as pessoas iriam querer com meu braço????(...um um...só eu mesmo pra pensar nessas cretinices!).

E não me julguem por desejar ser bonita, por que todo mundo aqui sabe do mundo em que vive e das exigências que vêm no pacote. Eu tenho culpa se eu vivo num lugar onde beleza é referência para tudo (no mínimo dá uma forcinha e tanto!)????

Minha meta agora é perder 10 quilos e dominar o mundo... e os homens...


domingo, dezembro 03, 2006

Ele simplesmente não está a fim de você!

Bem, eu sei que ninguém perguntou, mas não gosto mesmo de livros de auto-ajuda por que não acredito nem um pouco que “receitas de bolo em dez passos” possam dar jeito nessa vida maluca. É de lascar ver nas livrarias aqueles títulos toscos, ofuscando a inteligência e o bom senso das pessoas. O que ninguém percebe é que junto com a simplicidade de adquirir tal panacéia vem o perfil de "solitário - desesperado- que faz qualquer coisa- pra ser bem resolvido" no qual esses nobres autores se fiam pra ganhar seu sustento. Na verdade o título de um desses livros deveria ser: SEJA FELIZ EM DEZ PASSOS SIMPLES E FAÇA-ME FICAR RICO, SEU BESTA! prezando ao menos pela honestidade (se bem que honestidade não é marketing pra produto nenhum por que não vende!) Só um detalhe: pessoas bem resolvidas não existem, é utopia barata da qual eles se utilizam pra vender. Alguém ai já ouviu falar em subjetividade, individualidade, idiossincrasia???? Pois é. Ninguém nunca se questionou sobre esse pequeno detalhe??? Pessoas não são tão previsíveis, nem tão simples.

Ta! Deixando este discurso moralista de lado, comecei a ler um livrinho que não sei se se enquadra especificamente em auto-ajuda, pelo menos estou lendo com outros fins, por que a leitura é agradável e tem umas histórias legais. Dá até pra rir da própria desgraça, mas pelo amor de Deus e apesar da evocação, não tomem esse livro como Bíblia Sagrada dos relacionamentos por que não rola. Ele simplesmente não está a fim de você é útil pra entretenimento e pode até ser que algumas identificações sejam possíveis, mas é só! Não dá pra generalizar os acontecimentos e seguir cada conselho dado no livro é praticamente impossível! Primeiro: os relacionamentos podem ser semelhantes, mas não são iguais, são feitos de pessoas diferentes, com motivações diferentes numa dinâmica totalmente particular. Segundo: existem certas tendências culturais e fisiológicas que nos impedem de agir serenamente. Simplesmente não dá pra agir cautelosamente com tanta emoção e hormônios envolvidos.

“Ele” simplesmente pode não estar a fim de você, mas outros por questões tão simples quanto podem estar, então, por que desgastar-se com o impossível? Maneje suas possibilidades e viva pra satisfazer-se. Se sua satisfação só se realizar no sexo oposto, ao menos escolha as contingências adequadas e mire o provável: é bem mais fácil de acertar (e olhe lá!). Pense pelo lado bom e evite desperdício de tempo e afeto tendo conhecimento de que “Ele” não lhe quer. Apesar de conhecer muito bem as reações emocionais de uma rejeição capaz de nocautear uma auto-estima vulnerável, sei também que o mundo não acaba por causa disso. Um fora não é necessariamente um Armagedon. (quer dizer, nos primeiros instantes, é...mas é experiência de vida minha gente!). O que precisamos é reconhecer que nossos encantos femininos (ou masculinos, dependendo do intuito e público) não obedecem a uma unanimidade, e resilientes que somos, sempre superamos no fim e que venham as decepções, tudo conta nessa vida!
Ou então viva do jeito que for conveniente e do jeito que suas defesas suportarem, mesmo que envolva falta de amor próprio e reações exageradas, afinal, quem aqui precisa de conselhos de quem não sabe nada da vida?

Só uma última dica p’ras mentes perturbadas e almas atormentadas pela procura desesperada por um par: tente ser natural! Acredite, forjar experiências de vida, gosto musical, filmes preferidos, ideologias baratas e insanidades em comum pode não ser a melhor saída. Já ouviram falar em efeito rebote??? Mesmo por que espontaneidade forçada é percebida a quilômetros de distância (pelo menos por pessoas que tenham um mínimo de percepção aguçada.). Se isso dá certo na prática, não sei !(por que tudo que conheço é teórico...rs!), mas se der, POR FAVOR, me avisem, posso fazer fortuna com isso... (isso foi uma ironia!)

quarta-feira, novembro 29, 2006

Dia de vestibular.


Ainda hoje tenho trauma desse período de fim de ano, cheio de lembranças terroristas sobre expectativas e pressões pra provar p’ros outros que você é alguém na vida, um ser inteligente, digno de ser orgulho da família. Essa musiquinha chata que diz: “...pode soltar foguete que eu passei no vestibular...e a divulgação da lista de convocados nas rádios me dão calafrios, por que não me recordo de sensações muito boas a esse respeito.

Esse fim de semana pude reviver esses momentos de terror, só que sob outra perspectiva. Dessa vez eu estava do lado de lá, cuidando para que os nobres candidatos não burlassem as normas do concurso mais temido quando termina o Ensino Médio, o divisor de águas pra maioria de corações esperançosos em atender às exigências do papai, da mamãe e de um monte de gente que nem se conhece, mas pra quem seja preciso provar que você não é “um caso perdido”.

Eu ficava lá, na minha posição coercitiva de fiscal (pelo menos era a idéia que aqueles olhares inquisidores e hostis deixavam transparecer sobre mim), observando cada rosto agoniado, cada expectativa derramada na ponta do lápis e alguns pedaços de papel, os “kits sobrevivência” compostos de água mineral, chocolates e doce de todo tipo pra aliviar a ansiedade. Eu queria falar pra alguns mais decepcionados com o próprio desempenho que aquela prova não media conhecimento de ninguém, pelo menos não como deveria, afinal resolver oitenta questões de biologia, química, matemática e física não constata necessariamente que alguém seja inteligente. Se teve uma coisa que eu aprendi nessa vida é que inteligência é uma coisinha difícil de se definir e que abrange coisas muito mais amplas do que essa mediocridade de decorar equações que não fazem nenhum sentido na vida prática pra maioria.

Eu queria dizer alguma palavra reconfortante p’ros que não conseguissem um bom desempenho, que essa caça desesperada por um “curso de renome” (e o que define mesmo um curso de renome??? Nem sei, mas os argumentos que me deram ainda não me convenceram.) é uma exigência e necessidade de nossos pais e não nossa, embora eu entenda que no fundo só se queira o nosso “bem” e um salário de seis dígitos no fim do mês (ILUSÃO!...descobri hoje que um médico plantonista ganha uma miséria, dependendo, é claro, da perspectiva de miséria de cada um...TÁ VENDO, MAMÃE!).

Eu queria falar, mas não podia, por que também sei da selva onde vivo e das teorias sociais lindas que criei e vi serem destruídas sem piedade na minha breve história no movimento estudantil. Sei, por que aprendi na prática, que por mais que você prove e comprove a competência que domina, seu valor só vai ser atribuído diante de sua conta bancária e o status social de sua profissão (e quem arbitrou sobre que profissão merece ser mais valorizada?). Sei que não adianta agir com conduta ética e se utilizar de meios lícitos pra lutar por uma causa que você julgue justa se toda sua ideologia é esmagada por forças políticas muito maiores que seu desejo por justiça. E sei também que preciso seguir normas pra poder conviver do jeito que me é possível, pra não me tornar uma misântropa. Então as segui, quase todas (POR EXEMPLO: Ordem da coordenadora: Fiscal não pode sentar, tem que ficar em pé do começo ao fim...MINHA CONDUTA; ora!!!...Como assim??? Não pode sentar por quê??? A gente acorda ás cinco e meia da manhã, fica mais de quatro horas em pé e não pode sentar??? CLARO QUE PODE!!! SENTEI MESSSSSSSSSMO!). Se podia fazer alguma coisa, era não reforçar essa posição de autoridade que nos obrigam a tomar só pra deixar os pobres vestibulandos mais apreensivos.

Enfim, a única coisa que pude fazer de fato foi desejar silenciosamente que os que passassem pela peneira injusta do vestibular pudessem utilizar seus conhecimentos para algo prático e útil para a vida que resta pela frente, que as idéias alienadas trazidas do Ensino Médio fossem deixadas nas carteiras do colégio.

Boas vindas a esse mundo insano e perturbador e que tudo que lhes fizer mais sentido seja possível de ser realizado!!!

domingo, novembro 12, 2006

Minhas impressões sobre o Bela folia!


O que será que faz desses eventos-folia algo de apelo popular tão forte? É impressionante a quantidade e heterogeneidade de pessoas que eventos como esse conseguem reunir, independente do estilo musical ser agradável ou não pra alguns dos foliões, o que importa é a motivação: ver gente!

E parece que tal motivação é mesmo suficiente, ainda que o repertório não seja de gosto unânime, aliás, repertório é o que menos importa, o que vale é que há possibilidades por todos os lados. Tendo os objetivos traçados, é hora de colocar o plano de ação em prática. Assim, uma multidão caminha rua acima, rua abaixo, sequer escutando a confusão de sons indecifráveis que circulavam pelo ambiente. A meta era mostrar-se para o máximo possível de beijos na boca em potencial (que o digam as moçoilas afoitas que não se intimidavam em sair atropelando qualquer um que pudesse atrapalhar seus intentos.).

E por falar em “relacionamentos breves” (refiro-me ao ato de “ficar”), os beijos na boca sem compromisso, só pra experimentar outras texturas e colecioná-las nos relicários individuais de feitos e conquistas é uma das coisas que caracterizam essas reuniões. Já experimentei ser casual assim e só constatei que isso definitivamente não me satisfaz, pelo menos não no momento, enquanto ainda guardo algumas ideologias baratas a respeito de romance e entrega. Ainda acho que toda essa despretensão acaba banalizando a situação mais do que ela merece. Aproximar-se tão intimamente de alguém sem ao menos lavar alguns “pedaços” (como diz um amigo) em troca não me convém. Não que espere amor eterno e compromisso, só não acho justo compartilhar minha intimidade com quem, provavelmente, não saberá tirar proveito dela.

Gente interessante (pelo menos esteticamente falando) tinha aos montes, pra todos os gostos e disposições afetivas. Os meninos eram bonitos, atraentes até não poder mais, mas coreografias rebolativas quebram meu clima e o estilo “regata- músculos á mostra- shorte tactel- sou do pagode não me atrai. Quem sabe até tivesse um bom papo, mas não paguei pra ver, nem consegui bancar a “extrovertida- cheia de si- que sabe o que quer e faz”. Ainda preciso de muito treinamento, segurança e cara de pau pra poder “caçar” rapazes que despertam meu interesse.

A noite foi divertida do jeito que sempre é quando estamos na companhia de gente amiga. Tentei (juro!) dançar, beber e paquerar do jeito que eu sabia. Não é preciso nem falar que não tive muito sucesso em nada, fora o fato de que consegui chamar a atenção de um sujeito bêbado e chato, que se mostrava indignado e duvidoso de que esses olhos “cor de gasolina” fossem mesmo míopes. (será que ele pretendia mesmo me elogiar?).

Mesmo cansada agüentei (quase) firme até o fim, mas ficar anestesiada á ponto de não ouvir o despertador e perder a hora pro curso de Psicologia jurídica não estava nos meus planos pra o dia seguinte. Tudo bem...acontece...mas preciso deixar claro que dessa vez não foi por preguiça!!!

segunda-feira, outubro 30, 2006

Sobre as variações do humor feminino!

"Mulher é bicho esquisito: todo mês sangra!"
Rita Lee
SIM! Eu sou uma mulher complicada e histérica (no sentido psicanalítico da palavra) como muitas outras por aí. SIM! Eu fico Totalmente Pirada e Maluca uma vez por mês e a culpa não é só minha. Eu tenho uma porção de hormônios tão complicados quanto, que contribuem com uma parcela significativa de responsabilidade nestes surtos psicóticos mensais.

E não é mera justificativa p’ras minhas mudanças repentinas de humor, juro! Até eu fico assustada com certas ocasiões que me fazem pensar em assassinato num instante e no outro seguinte, desejar a paz mundial, o fim da fome e chorar ouvindo música melosa.

Estes são os mesmos motivos que me fazem querer MUITO estar com alguém em certos períodos e em outros, mais serenos, querer realmente estar sozinha, feliz com as contingências que me são oferecidas pra administrar. Apesar de insano, bizarro e até inacreditável é tudo possível, por que sou uma mulher de fibra e tenho que conseguir alcançar minhas metas. E minha meta é aprender a estar realizada, ainda que sem um homem pra chamar de meu.

É só uma questão de realizar um trabalho interno pra acreditar piamente nos argumentos que criei pra reger minha própria vida e pra me defender. Tenho plena consciência de minha responsabilidade em relação a isso. Eu acredito em mim (ás vezes...quando convém, como agora). Além de toda essa problemática, a mamãe me ensinou a não confiar muito em qualquer animal bípede que tenha pelo menos um cromossomo Y e prometa amor eterno. (desculpem a generalização, mas foi assim que aprendi!).

Portanto, como vêem, tudo faz parte de uma junção de fatores como postura defensiva, crenças construídas e surtos psicóticos, os mais variados e esquisitos. Alguém, por caso, sabe dizer o que faz uma mulher perder o senso de tudo nessa vida (amor próprio, direção, discernimento...) ao se deparar com situações cotidianas enlouquecedoras, sobretudo envolvendo o sexo oposto?
Resposta: distúrbios hormonais e ataques de fúria desencadeados por falta de sensibilidade masculina. Afinal, o que custa ao filho da mãe reconhecer que todo o ritual de beleza pelo qual somos obrigadas a passar não é em vão.

Viram? Tudo totalmente explicado. É por isso que uma mulher na TPM pode usar seu “estado crítico“ como álibi caso cometa algum crime. Lembrem-se que assassinato é uma das possibilidades que pairam por nossas cabeças perturbadas.

E se a situação não é necessariamente com a gente, nada impede que transfiramos nossas energias pra assuntos referentes ás companheiras que precisam de nosso apoio, numa atitude declaradamente coorporativista de “uma mão lava a outra”. Assim, todo o ódio pelo ex-namorado da sua melhor amiga, aquele desgraçado/ crápula/ filho da puta (e outros tantos adjetivos pejorativos que nem vale a pena citar) que a fez chorar “lágrimas de sangue” (parece que nesse momento está tudo relacionado mesmo com sangue) é potencializado nesse período. Sem contar que os pensamentos homicidas nefastos a seu respeito não são descartados em nenhuma hipótese, bem como desejos mórbidos e fervorosos de que o canalha desapareça da face da terra num estalar de dedos.(ah, se eu pudesse!).

É óbvio que, na maior parte das vezes, tudo isso fica restrito apenas ao âmbito da imaginação. Podemos até ser assassinas em potencial, mas também somos histéricas e as condutas sociais interferem com sucesso em qualquer prática delituosa que, por ventura, venha a ser planejada. (preferimos ser SEMPRE as vítimas.)

Por isso, rapazes, não se preocupem. O tempo de duração desses “surtos”, por assim dizer, são curtos e só acontecem uma vez ao mês. Como disse, a maioria dos planos maquiavélicos de vingança fica só no pensamento e toda a energia agressiva é escoada pra outros fins (bonecos de vodu também ajudam bastante). Se tudo ficar potencialmente perigoso e ninguém souber como intervir, é importante deixar claro que crises de choro sem motivo aparente, hipersensibilidade e ataques violentos á integridade física e moral podem ser satisfatoriamente amenizadas e até cessadas com uma boa e (grande) barra de chocolate!
Por isso, nada está realmente perdido!!!!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Sobre a vontade de que as histórias de amor dessem certo como imaginamos...


"isto é, se for, aquilo que chamam amor..."
LULU SANTOS

Passei a última semana entretida com uma causa nobre. Banquei a “super heroína protetora das histórias de ‘amor’ em potencial” e viajei com uma amiga pra um lugarzinho longe e bonito, onde seu “príncipe sem cavalo branco” (pra ser mais especifica era uma moto) a esperava ansiosamente.

O nome do lugar é Remanso, uma cidadezinha romântica do interior da Bahia, possuidora de uma paisagem bucólica e apaixonante (literalmente), onde tudo é inspirador pra quem está aberto a compartilhar daqueles sentimentos que provocam todo tipo de reação orgânica (e psicológica), desde o mais elementar frio na barriga (provocado pela porcaria da angústia que a insegurança traz) até as palpitações e tremores no corpo todo (tudo comprovado empirica e cientificamente).

Ah!...antes de mais nada, gostaria de responder ás perguntas cheias de curiosidade e ávidas por algo surpreendente: NÃO! Eu não “fiquei” com ninguém. A cidade era romântica, mas não pra mim. É que eu sou meio incompetente, um fiasco no que diz respeito á namoro. Não tenho jeito pra seduzir e até acho que estou ficando insociável pra esses relacionamentos breves, talvez pelo fato de existir num universo que só faz sentido pra mim. Pode até ser que num dia de desespero (mais por imposição dos outros do que minha) eu recorra a um desses clássicos de auto-ajuda (que eu detesto por reduzir a vida das pessoas a um conjunto de regras tolas que “ensinam” como ser feliz em dez passos e isso sim seria heroísmo) tipo: Como Seduzir um Homem em Dois Segundos ou Como Seduzir um Homem em Dois Segundos e Mantê-lo pelo Resto da Vida!

É que ás vezes me sinto um ET vendo a frustração no rosto dos outros (que o diga a mamãe!) quando falo que sou solteira por convicção. Por incrível que pareça, ainda existe romantismo nesta alma, só que de uma outra forma, de um jeito que possa me defender de expectativas desnecessárias e como neurótica que sou, preciso de minhas defesas pra não sucumbir às exigências que não consigo cumprir. Mas deixemos esses assuntos pessoais sem importância de lado e nos atentemos aos relacionamentos mais interessantes (os dos outros).

Aceitei o convite e senti-me feliz com a sensação de estar ajudando alguém querido e em falta com outra pessoa, também querida, por não estar presente em seu aniversário. Essas coisas sempre acontecem comigo, logo comigo, que tenho pavor de fazer escolhas, mesmo sabendo que terei que fazê-las pelo resto de minha medíocre vida. (e não sei por que ainda não me acostumei!). Eram dois amigos do peito que, de certa forma, precisavam de mim (longe de parecer presunçosa) e eu tive que optar. Na realidade, não sei se optar seria a palavra mais adequada, já que não preteri ninguém, só ponderei as necessidades de cada um.

Um tinha um dia no calendário pra comemorar mais um ano de existência nesse mundo. A outra tinha três dias pra saber se seu amor valia mesmo a pena. Pra um eu dedico os melhores pensamentos e desejos de felicidade todos os dias, sem precisar de uma data específica pra isso. Á outra eu quis, mesmo que indiretamente, ajudar a proporcionar o prazer de sentir-se amada e desejada com reciprocidade pelos mesmos desejos e pensamentos e por que achei que ela merecesse saber o quanto é bom, ainda que não saiba disso por conhecimento de causa. Mas pra que a minha imaginação serve se não for pra supor essas coisas?.

Não sei dizer se era amor, era um sentimento parecido, algo que também cortava o peito de ansiedade e vontade de estar junto, e mesmo não sendo esses romances exagerados inventados em novela mexicana (como: “eu vou te amar pra sempre, ou te amo com todas as forças do meu ser”...típico), era o que podia ser oferecido no momento e era bonito de ver. Parecia ser, sobretudo, a busca de algo que pudesse ser compartilhado com serenidade e que pudesse aliviar as inquietudes que a procura desperta. Um sentimento que irradiava uma beleza que vinha naturalmente de dentro, um brilho no olhar difícil de descrever. Era a vontade de experimentar o diferente, o novo e de certa forma, o desejado. Era jeito de gente disposta a se entregar e a aceitar a entrega do outro.

Ela fez um grande gesto e ele aceitou retribuindo cada dia com atenção admirável e declarações de amor que a deixavam confiante de seu afeto. Cada um fazia sua parte pra construir a história que achavam possível de existir. O tempo era curto, menos do que realmente necessitavam, mas nada do que viveram nesse tempo foi em vão.

Na despedida desses dias apaixonados sobrou alguma coisa parecida com saudade e lágrimas nos olhos, já que não se podia fazer mais nada além de ruminar boas lembranças. Sobrou a felicidade de se sentir fazendo parte da vida e do coração de outra pessoa e a esperança (minha e deles) de que histórias de amor possam mesmo dar certo na vida real.

sábado, outubro 07, 2006

Legião Genérica...


“Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo...”
Sereníssima; LEGIÃO URBANA



Ontem á noite fomos todos ao show que julguei ser o que salvaria meu ânimo depois dos últimos programas, não tão bem sucedidos, devido a uma espécie de falta de boa vontade coletiva.
Já que nunca tive oportunidade de ir a um show da Legião, por causa (principalmente) da minha pouca idade na época, quis saber como seria cantar as músicas que mais gosto num show genérico, ainda mais por que soube que teríamos a ilustre presença de um dos integrantes da banda ainda vivos. (na verdade os integrantes vivos são maioria, uma vez que só um morreu de um grupo de três...).

Pra falar a verdade não botei muita fé no cidadão (Marcelo Bonfá) que mais parecia querer divulgar seu próprio trabalho que fazer um tributo ao colega de banda morto há dez anos. O cara é bonitinho, bem do jeito que eu imaginava e é jovem ainda. Até elaborei uma teoria cretina de que ele e o Dado Villa Lobos tomam pílulas com formol e ervas rejuvenecedoras na composição (se é que é mesmo possível, mas é minha imaginação ora... por que eles não envelhecem? Alguém têm uma explicação melhor?). Musicalmente falando (não que eu seja expert!) não achei muita vantagem e até já tinha ouvido falar mesmo que o Renato só tinha contratado ele por que era charmoso e bonitinho (faz sentido!).

Esquecendo o Bonfá, tentei entrar no clima ao qual havia me proposto e unida a meus colegas em semelhança de gosto musical cantei do fundo da garganta e do coração Faroeste caboclo, Quase sem querer, Índios, Pais e filhos; hinos que todo fã que se preze tem a obrigação de conhecer. (só faltou minha música preferida: SERENÍSSIMA, citada na abertura do texto. Aliás, faltaram várias, mas deixa pra lá... Mas fiquei contrariada por não poder cantar minha parte preferida da música que diz assim: “minha laranjeira verde por que está tão prateada? Foi da lua desta noite ou do sereno da madrugada? Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço, enquanto o caos segue em frente com toda calma do mundo”...adoro por que não faz sentido algum ). Tentando abstrair o som ruim e os empurrões, exorcizei meus demônios, emocionadamente, lamentando inclusive ter nascido na época errada (o que só intensificou meus sentimentos de deslocamento com relação a esse mundo medonho que o Renato sempre descrveu tão bem por conhecimento de causa!!!).

Lamentei, sobretudo, não curtir como queria as canções que embalaram meu coração adolescente (partido, na maioria das vezes) durante tanto tempo e continuam me ajudando a falar de mim quando não sei. Senti saudade de tanta coisa que nem vivi e de outras que cheguei até a vivenciar, mas não do jeito que realmente gostaria (o que não é novidade alguma pra uma sempre insatisfeita...). Mas eu estava com amigos queridos, onde me sentia bem, ouvindo as músicas que quero e gosto...portanto, sem reclamações. Na verdade, eu nunca reclamo, só deixo minhas impressões registradas.

E terminando com uma frase sobre a vida e seus percalços daquele ao qual o tal “tributo” foi dirigido (e ele os conheceu bem...), despeço-me desejando que um dia tenha calma pra viver do jeito que me for mais proveitoso...

“Viver é uma dádiva fatal. No fim das contas ninguém sai vivo daqui, mas vamos com calma!”
SÓ POR HOJE.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Querer é, necessariamente, conseguir?

“Já perdemos muito tempo brincando de perfeição. Esquecemos o que somos: simples de coração...”

ENGENHEIROS; SIMPLES DE CORAÇÃO.




Acho que ás vezes minha imaginação fértil mina possiveis relacionamentos interpessoias, principalmente namoros.

É impressionante como sempre escolho à dedo quem me rejeita e como boa estudante de Psicologia que sou, interpretei que isso possa ser atribuido ao fato de eu não querer ser correspondida, não que eu seja conscientemente masoquista. Refiro-me às não intencionalidades da coisa toda, o plano inconsciente da questão. Então eu siigo a dinâmica do auto-boicote; evito me envolver pra não ter que conviver com a realidade que não me satisfaz, por que eu sempre quero o sonho!

O problema é que minha vida já é tão comum que desejo que tudo o que nela aconteça seja o mais extraordinário e incrível possivel. Resultado de anos a fio vivendo no mundo das novelas mexicanas e seriados. E se me perguntassem qual seria minha ideía mais bonita de romance eu diria que eu quero que alguém goste tanto de mim a ponto de seu coração doer e que seja recíproco, prazer do qual jamais desfrutei. Quero pequenos sacrificios criativos como os de Amélie por Nino em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de Claire por Drew em Tudo acontece em Elizabethtown ou ainda os pequenos desencontros de Oliver e Emily em De repente é amor, feitos por um rapaz simples e espirituoso, espontaneamente romântico e doce, com cabelos encaracolados quase dourados e olhinhos cintilantes e coloridos!

Quero ainda pensamentos advinhados e declarações de amor através de palavras não ditas , mas por um olhar cúmplice, cheio de intenções apaixonadas, com um belo fundo musical imaginário e beijos roubados quando menos esperar. Quero grandes surpresas em simples gestos, pois apesar de todo enfeite e firulas imaginativas, ainda prefiro as coisas simples. Quero um show pirotécnico, borboletas no estômago, extravagâncias amorosas que jamais cogitei experimentar. Quero mesmo os exageros que tornam tudo mais especial e “cinematográfico” por que a vida real não tem o mesmo sabor que uma fantasia bem elaborada. Quero formar com ‘ele’ um casal tão compatível que as pessoas se penalizem ao nos imaginar separados. Pura vaidade, eu sei. Mas quem pode me julgar por isso?

Sinceramente eu não faço idéia se o que eu quero existe, mas eu ainda acredito em todas as possibilidades, até as absurdas, porque desejar não custa nada, a menos que o desejo seja reprimido por seu superego, aí custa sua saúde mental. E eu realmente não me fio nesses devaneios que aparecem quando vou dormir pra continuar existindo. É só um desejo e eu não vivo em função dele (mecanismos de defesa ativados?). Outros relacionamentos me fazem muito feliz e eu não lamento estar só. É só um desejo, como o que tinha quando criança de querer casar com o John Malkovich ou com o Bryan Adams, ou de ter querido muito ir pra Disney aos 15 anos ou o de querer ganhar dez mil reais por mês com a profissão que escolhi. (definitivamente um SONHO!). Tudo isso pode não acontecer, mas se ainda existe uma possibilidade, por que não acreditar? Acho que é uma espécie de delírio psicótico, mas ás vezes é necessário dar vazão a certas loucuras.


terça-feira, outubro 03, 2006

Uma questão de fé...

"...é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai alé do que se vê..."
LOS HERMANOS


É...acho que a tal da obrigação em manter o blog atualizado tá me pegando de jeito e, sinceramente, era a ultima coisa que eu queria. É que não quero nada escrito forçadamente e não é que eu esteja escrevendo por obrigação, só não sei como começar, por isso vou registrando quantas bobagens me vierem à mente e se qualquer trecho disto parecer paradoxal, não se assustem; sou paradoxal por excelência! Eu estava mesmo era esperando a inspiração vir, mas eu tenho preguiça até pra me manter inspirada e de repente lembrei que não sou escritora, então, que a porcaria da inspiração se dane!...

Tava aqui pensando a respeito de relacionamentos (todo e qualquer tipo) bem sucedidos e nos que sucumbem na própria dinâmica. Pensei, sobretudo, na fé que já não existe mais com tanta intensidade (em mim, pelo menos) e na angústia que persiste em ver tudo mudar tão rapidamente sem se estar preparada pra isso. É que ando cultivando uma espécie de “calo emocional” (essa expressão existe? ), meu amor ás causas perdidas anda meio cambaleante, frágil, quase moribundo. Mas prometi que não iria mais me consumir em desespero por causa do que não consigo mudar, o jeito é conviver com que sobra, com o inexorável. Não é conformismo, é só cansaço de uma luta vã. O fato é que minha intolerância a mudanças anda atrapalhando minha vida e abalando minhas crenças. Eu vivo atormentada pelo medo de me tornar uma descrente, logo eu, que sempre achei que tudo tinha uma solução no fim das contas, que sempre achei que tudo podia ser consertado (acho que tantos anos de novela mexicana deturparam meu senso de realidade).

Sentada á mesa da cozinha, numa boa conversa com dois bons amigos, (não sei por que, é sempre na mesa da cozinha que as maiores discussões são despertadas), após duas horas de idéias compartilhadas sobre a criação de nossos filhos, futuros sujeitos bem resolvidos (que utopia! Mas era meia noite e o sono já tomava conta de nossas mentes perdidas nesses devaneios), cidadãos responsáveis e acima de tudo, indivíduos conscientes, nos demos conta de que, se não podemos mudar o que já é fato, ainda há uma esperança de construir algo novo. E nesse sentimento de “incríveis salvadores de um mundo já sem jeito” passamos de um estado de descrença total pra outro de uma espécie de crença realista, isso em questão de minutos de mudança de perspectiva. (parece que tudo depende mesmo só de perspectiva! ).

Remoendo esses sentimentos estranhos, lembrei-me novamente da fé que insiste em querer me abandonar e me peguei com certa inveja dos que conseguem manter uma espera inabalável por algo que realmente julguem fazer sentido. Pensei nas grandes conquistas e sacrifícios homéricos realizados por quem merece ter o que desejou com parcimônia e serenidade, qualidades que me faltam no momento.

Foi com certo esforço que me lembrei também da tal da questão de perspectiva e tentei pensar, com o máximo de otimismo que ainda me restava, em boas probabilidades. Fazendo um balanço de tudo, vi o quanto um gesto tão simples como o de prestigiar a realização de um amigo querido faz diferença no que se concebe como um relacionamento bem sucedido e de como o testemunho de um olhar orgulhoso a quem se ama pode tornar tudo mais crível. De repente fui tomada pelo conforto de ter a certeza de que se pode confiar nas pessoas realmente significativas e que mesmo aquele seu amigo aparentemente anti-social pode ser incrivelmente doce e disposto a mudar pra agradar a quem vale a pena. E diante de todas essas felizes possibilidades vi que não há mesmo motivo pra que eu deixe de acreditar em tudo que sempre me satisfez e no que ainda estou longe de conhecer, mas que sei que é admissível e bonito...