sexta-feira, julho 31, 2009

Sobre os "caras legais"


Os caras legais são definitivamente um problema difícil de superar. Sei que se comparados aos "bad boys" não há o que temer, não há sequer graça ou aventura neles, mas tudo é só questão de perspectiva e da mistura certa. Portanto, quando falo em "cara legal" refiro-me àquele sujeito extremamente gentil e atencioso, mas também inteligente e com um senso de humor interessantíssimo. Ainda não enxergam o perigo? Pois bem. Na minha opinião os "caras legais" são extremamamente sedutores, astutos e uma incógnita. E o pior de tudo: o charme dessas pessoas é diretamente proporcional ao efeito ansiogênico que provocam.

Se pensarmos bem, os "caras legais" possuem uma estratégia reconhecidamente eficaz, fato que os coloca em uma situação bem mais confortável e segura ao mesmo tempo que nos deixa confusas e sem senso algum de direção. A natureza gentil (e sedutora) deles é dúbia, mas isso é parte constitutiva da "energia atrativa" que estes seres emanam ou pode ser tão somente gentileza despretensiosa; só a busca por uma vaguinha no céu. Quando podemos saber a diferença? Nunca! Talvez alguma luz, ainda que fraquinha e não confiável,vinda de um mapa astral ou aproximações interesseiras dos melhores amigos do "cara" possam direcionar alguma conclusão mais superficial, mas ainda assim tudo é só possibilidade e nada mais. Nada é certo. Nada é seguro.

Se eles estão realmente interessados em uma aproximação mais calorosa o "jeito-cara-legal-de-ser" é a deixa para a justificativa: "os sinais estavam lá o tempo todo. Você que não percebeu". Ponto pra eles. Se eles não estão interessados no amor que você tem pra dar vem o argumento: "Você entendeu tudo errado. Eu trato você bem porque sou legal. Desculpe". Ponto pra eles de novo. Até aí são 2x0 e você só tem mais uma vida, qualquer passo fora do lugar e GAME OVER!

Acho mesmo que nestas circunstâncias um guia ou um manual de sobrevivência seja necessário. Sugestão para títulos: CARAS LEGAIS: DECIFRE-OS OU ELES TE DEVORAM; CARAS LEGAIS SOB A PERSPECTIVA DOS CARAS LEGAIS; CARAS LEGAIS: MELHOR NÃO TÊ-LOS, MAS SE NÃO TEMOS, COMO SABÊ-LOS?; TRATADO SOBRE OS CARAS LEGAIS ou ainda CARAS LEGAIS À LUZ DA DIALÉTICA MARXISTA ou COMO NÃO SER OPRIMIDO POR UM CARA LEGAL. De verdade, solicito um estudo de caso urgente!Para o bem da nação e dos corações apaixonados e partidos. Essa é definitivamente uma causa humanitária.

sábado, julho 25, 2009

Sobre como ser um brócolis


"Você passou e riu. Me faz pensar que sim! Sempre quero alguém que jamais olhou pra mim"
VOCÊ TEM: GRAM

Ah! Então eu entendi tudo errado? Eu interpretei os sinais equivocadamente, foi isso? Droga, eu sempre recaio sobre os mesmos erros! Quer dizer que aquele filme que você sugeriu e me emprestou - que por sinal, detestei - não foi porque você queria saber minha opinião ou porque quis compartilhar algo pessoal comigo. E você tem namorada, não é? Não sabia! Quer dizer: eu não perguntei e você nunca disse porque não me deve satisfações, já que não faço parte da sua vida como supunha.
Nossa! Preciso sentar. Não sinto mais minhas pernas, o chão desapareceu sob meus pés e eu estou congelando. Tá frio aqui, não tá? Ou essa é só a estranheza do constrangimento? Eu me apaixonei de verdade por você, sabia? Por sua gentileza, seu senso de humor, sua inteligência. Só esqueci de averiguar se isso faria parte da sua realidade também! Esqueci de testar minha fantasia. Então era tudo platônico mesmo. Puta que pariu! Eu sempre faço isso, essa loucura toda. Tem um transtorno mental desse tipo, não tem? Erotomania, o nome, eu acho. Ou será que eu inventei isso também?
Bom. Já vou. Desculpa pelo incômodo e por minha oligofrenia, tá? A gente se vê. Ou melhor, não! É que vai dar trabalho desmontar o mundo lilás que construí pra nós dois: nosso noivado, casamento e tudo mais. Vai ser mais difícil com você por perto, entende? Não sejamos amigos, então. Preciso elaborar o luto. Vou fazer melhor, vou fingir que tudo isso não existiu. Refiro-me a essa conversa, porque o resto não existiu de fato. Eu nem sou humana!Eu sou um brócolis, na verdade. Já que, ao que parece, sou muito boa pra criar fatos e personagens, vou utilizar esse dom a meu favor pela primeira vez na vida. E não olha pra mim assim! Eu vou sobreviver. Eu sempre sobrevivo!

domingo, julho 19, 2009

Sobre rejeição e outros dilemas cotidianos


"Não foi capaz de sentir a dor de um não".
ANTES DO FIM: GRAM

E quem não tem medo da rejeição? Esse bicho-papão que não discrimina sexo, raça, auto-estima, religião ou situação econômica. Tiram-se do bolo dos medrosos apenas os narcisistas (pelo menos aparentemente, já que ao que todos os referenciais inconscientes e crenças disfuncionais indicam, eles têm bem mais medo do que nós; os inseguros e mortais).

No fim das contas, todo ser humano, em menor ou maior grau, tem medo de não conseguir suportar um não, um abandono, um "não te quero, gato(a)" e tenta se defender a qualquer custo; seja agindo como um louco sufocador ou mantendo tudo o que é de ordem afetiva com distância e indiferença.

Rejeição é um monstrinho difícil de suportar em qualquer circunstâcia. Se é você quem rejeita a culpa consome todos os seus pensamentos e tudo o que passa por sua cabeça são idéias de auto-flagelação por magoar o próximo (para os não-perversos e cristãos, nessa ordem, ou não) do tipo: "eu não sou uma boa pessoa"; "eu não mereço uma boa pessoa"; "eu mereço queimar no fogo do inferno". Você até preferiria ser a pessoa rejeitada pra se livrar do peso do remorso se não fossem as recordações do quanto se sofre quando não lhe querem, quando a reciprocidade não faz parte de sua vida, e neste caso, os pensamentos recorrentes são de total desprezo por si mesmo, tais como: "eu nunca fui amado(a)"; "eu sou a escória da humanidade"; "Porra! Até o Príncipe Charles tem alguem que diz amá-lo e eu não".

Moral da estória: com rejeição não se brinca! É uma massacre impiedoso. Mas há um jeito de evitá-la: afastar-se de toda experiência afetiva existente e viver como um fungo ou uma ameba, ou qualquer ser vivo, porém, descerebrado e sem consciencia de sua realidade. Por outro lado, caso você seja corajoso, pode ir fundo, sem reservas, como um bêbado dirigindo um caminhão no escuro e viver suas experiências sem pensar no que vem depois, sem pensar no coração partido e remendado milhões de vezes, sem pensar na desidratação que será consequência de todas as lágrimas vertidas por um ser-sem-coração, sem calcular nenhum dano iminente. Talvez esteja aí a graça de viver: a emoção de sempre ter que escolher entre se preservar e exixtir miseravelmente ou viver intensamente, mas cheio de fraturas expostas. Infelizmente não se pode ter tudo nessa vida!

sexta-feira, julho 10, 2009

O eterno retorno..

Sei que isso aqui está entregue às moscas. É que passei uns dois anos no ostracismo, escrevendo textos estritamente científicos e necessários à minha formação profissional. Tudo por mero interesse acadêmico. Acho que perdi o tom, a destreza em escrever por prazer e diversão. Também passei dois anos duvidando das minhas supostas habilidades para a escrita e confesso que foi uma forma indolente de racionalizar o abandono a este espaço do qual gosto tanto. No entanto, refletindo um pouco sobre a arte de entreter os outros com palavras, comecei a questionar um pouco mais que o habitual essa minha insegurança paralisante e cheguei a linda conclusão de que eu não preciso me enquadrar ao perfil Gabriel García Márquez pra poder manifestar meus pensamentos mais absurdos e desnecessários (até mesmo porque seria muita pretensão da minha parte e ainda me sobra bastante humildade pra admitir que eu não chegaria a unha de seu dedão do pé esquerdo nem em cem anos...de solidão – perdão pelo trocadilho infame). Agora voltando ao foco e raciocínio: pensando bem eu até tenho alguns atributos tímidos. Então, se eu tenho imaginação para pensar sobre as coisas mais absurdas do universo, gosto de escrever sobre elas, sei até um par de regras de português e às vezes utilizo minha criatividade a meu favor. Sim! Eu sou uma escritora também! Não da maneira glamurosa e intelectualmente estimulante. Não com aquelas frases de efeito que fazem seu cérebro virar ao contrário dentro do crânio e te deixam umas duas semanas pensando sobre o sentido da sua existência. Não que eu escreva coisas que vão ser citadas no status do msn pra impressionar. Mas eu posso proporcionar às pessoas que venham a se identificar com alguma baboseira escrita um sentimento de pertença a um mundo, por vezes, tão inadequado. E é diante desta perspectiva política e altruísta que retorno (de verdade) ao meu espaço de divagações e compartilhamento das agruras da vida real. Mais uma vez ressurgida das cinzas da minha preguiça, saio da fase de latência para proporcionar diversão e crescimento...a mim mesma. Por que não?

terça-feira, dezembro 23, 2008

O fim de uma era...


Esse é o último ano da nossa jornada rumo à vida adulta. Foram cinco anos e meio de muitos conflitos vivenciados e superados, na medida do possível. Mas o que seria de nossas vidas sem as tão fortalecedoras contradições? Não é assim que somos? Contraditórios em essência pra poder suportar e superar esse mundo de exigências tão cruéis?

Somos uma equipe que muitas vezes esteve no olho do furacão e, ainda assim, mantivemos o respeito e a diplomacia, condições essenciais para uma boa convivência. O que importa é que nos gostamos e nos sentimos bem juntos. O fato é que construímos bons momentos e boas histórias pra contar. Protagonizamos com tanta dedicação um roteiro tão nosso e tão particular, tão cheio de criatividade que nossos personagens deixaram marcas por onde passaram. É certo também que formamos um grupo cansado de tantas lutas, mas um grupo coeso, mesmo que colado com superbonder.

Depois de tantas experiências compartilhadas, este é o primeiro Natal que passamos juntos pra selar o fim de um ano sobrecarregado de expectativas, movimentos de reaproximações e saudosismo. Porque é bom sentir saudade daquilo que marcou nossa história. Depois de uma vida compartilhada, fica difícil compreender as mudanças que virão e mesmo assim, não é nada difícil desejar sucesso, bons sentimentos, boas vibrações e direcionar seus melhores pensamentos pras pessoas que mudaram sua forma de ver o mundo.

Que essa união de diferenças seja nosso porto seguro em muitas ocasiões, que o “Terceirão” ou os “Psicrazy” mantenham a fé nas possibilidades e que nosso “Infinito Particular” seja construído ao longo dos dias que ainda dividiremos.

Pelos dias que vivemos e pelos dias que virão, que as lembranças de tudo o que fomos se concretizem em nossos melhores desejos e fortaleçam a nossa amizade.

Um Feliz Natal e um 2009 de realizações, sucesso, boas surpresas e afeto dos que amamos...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Carta de quase despedida ao único amor verdadeiro

Em algum lugar, em algum dia de um ano qualquer.


Oi, tudo bem?

Sei que há muito tempo não nos falamos, mas me peguei esses dias com a estranha sensação de que ainda há algo para definir. Parece que há uma tendência a retornarmos ao mesmo ponto e resolver eternas pendências. Eu realmente achei que tudo já estava definido e que não havia mais nada para resolver, negociar ou esquecer. Mas pelo que sinto ainda estamos ligados, de alguma forma, por uma força invisível que me empurra em sua direção toda vez que você resolve dar algum sinal de vida. É certo que eu já investi em você quase tudo: quase todas as minhas primeiras experiências, quase toda minha juventude, quase todo sentimento que um dia, ingenuamente, pensei ser amor, boa parte de minhas lágrimas e uma porção considerável de atenção, projetos e afeto incondicional. Mas não, definitivamente, eu não te amo mais e acho improvável que já tenha amado. Talvez tenha amado a idéia de amar alguém, porque era bonito, louvável e romântico, como deve ser para uma mocinha delicada e servil. Na verdade eu caí na armadilha das mentiras contadas a meninas crédulas demais como eu fui um dia. “Você nunca mais esquecê-lo, o primeiro namorado a gente nunca esquece, marca como mancha de catapora. Você vai sentir que nunca mais vai amar ninguém na vida, que ele é seu único amor verdadeiro, como o Ken da Barbie ou o príncipe da Cinderela e blá, blá, blá” . Dediquei oito anos de minha vida a esta crença e desperdicei boas chances de ter uma existência diferente e mais proveitosa. Talvez se tivessem me contado a verdade mais cedo, antes que eu descobrisse sozinha a duras penas, eu seria bem diferente do que sou hoje. Nem pior, nem melhor, quem vai saber? Só diferente. Mas tenho de convir que foi você quem me fez ver que o único amor verdadeiro é tão falso quanto uma nota de três reais. Graças aos delírios que nutri a seu respeito percebi que amores de verdade ou de mentira não “aparecem”, são construídos como toda e qualquer relação. Não, meu bem, você não me faz mais falta, aliás, depois que nos encontramos pela última vez não lembrava mais que você ainda existia. Sem o intuito de ofender, mas não pensei em você um só segundo destes dias em que estivemos longe. Agora você volta a invadir meus pensamentos como o intruso que sempre foi, mas não da maneira de antes. As coisas agora são diferentes. Eu mudei, você mudou e a situação também é outra. Só estou escrevendo pra você saber que foi importante; mais do que deveria e que dediquei muito de mim a ti; mais do que qualquer pessoa com um mínimo de sanidade seria capaz. Enfim, meu caro, algumas coisas nunca mudam, só se reconfiguram. Eu continuo insana, mas não te amo mais.



Até um dia desses.



quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Mais do mesmo


Depois de uma eternidade presa na fortaleza da solidão, retorno, ressurgida das cinzas e misturando mitologia com estória de super heróis. Voltei bem mais cansada, dez anos mais velha e quase derrotada. Mas se é o jeito passar o resto da vida me adaptando às situações, vou seguindo, meio Fênix, meio super girl. E em meio a adaptações e à esquizofrenia latente, porém contingente e perfeitamente justificada e justificável, andei por aí, lutando contra e à favor de muita coisa vã, flagrada em contradição, tomando decisões e voltando atrás . Enfim, em essência, contraditória, como todo mundo. Minha maior contradição é justamente ser tão resistente a mudanças e ao mesmo tempo querer tanto mudar o mundo (ao menos o meu, pra soar menos utópico). Acho que é a incoerência que traz toda forma de adaptação a um mundo igualmente incoerente e desadaptado.

Talvez eu tenha mesmo só que viver minha vida e, às vezes, a de outras pessoas, nem sempre de verdade, pra ver se eu consigo aprender alguma coisa nova, resolva minhas incoerências e assim, traga um pouco mais de satisfação a esta vida experimentada de forma tão insatisfeita. E talvez seja exatamente minha reticência em encarar certos fatos, minha indecisão em resolver alguns problemas que freie meu crescimento e minha paz. O que eu posso concluir é que, por enquanto, sou indecisão, insatisfação e contradição, tudo misturado, que nem massa de bolo, no mesmo crânio fraturado de levar uma pancada atrás da outra.

Aqui, sem dúvida, é o lugar que mais me faz refletir sobre mim mesma, é onde me sinto mais à vontade pra divagar e tentar achar algo que faça algum sentido, sem querer me apropriar dos méritos filosóficos, essa não é a intenção. Eu não pretendo dar lições de moral, nem impressionar conhecidos ou desconhecidos, enfim, minhas intenções são tantas outras que nem saberia explicar, inclusive, acho que querer me explicar é sempre meu grande mal, o defeito de quem foi sempre tão insegura e carente. Como se pode ver (ou ler), nada novo, são só os mesmos problemas, resolvidos quase sempre da mesma maneira, em situações irritantemente semelhantes.

Eu já desisti de muitas coisas, por covardia, preguiça, ingenuidade, ou até mesmo por ser eternamente insatisfeita, indecisa e contraditória, mas não desisti de tantas outras porque não deixo de acreditar nas possibilidades, mesmo que as contingências ainda me levem a pensar o contrário. É por isso que não pretendo desistir disso aqui e por isso me senti tão mal em negligenciar este espaço, em optar pela vida real em tempo integral, já que, é só aqui que me forço a considerar as minhas inquietações e tentar resolvê-las de maneira mais ou menos serena.

Escrevendo eu sou obrigada a pensar e me dar conta que nem todo mundo é leal como diz, nem mesmo eu em algumas situações, nem comigo, nem com os outros, e que se em algum momento eu me vir fazendo e falando coisas que estão fora da minha rotina ou que eu abomino, não significa que eu perdi minha identidade. Que a dedicação eterna e incondicional declarada em toda forma de amor só é concreta enquanto as primeiras dificuldades não surgem e enquanto, de uma maneira ou outra, você ainda é conveniente. Aqui, eu vejo cristalizado em frases sem sentido e de impacto medíocre tudo o que eu não queria ser ou ver e admitir que em algumas situações eu estarei mesmo sozinha, por abandono ou necessidade. Enquanto isso eu vou vivendo por aqui e por aí, engolindo à seco minhas decepções, planejando o futuro como se adiantasse alguma coisa.

No fim, a gente faz mesmo o que pode e por isso eu acredito tanto em possibilidades e se ainda for mesmo possível, mesmo fazendo as mesmas coisas, quase do mesmo jeito, quero poder recomeçar e fazer o mínimo de certo, pra fazer o mínimo de diferença em qualquer coisa, em qualquer lugar, pra qualquer pessoa.

quinta-feira, outubro 04, 2007

De onde vem?

De onde será que vem essa sensação arrebetadora, essa perda temporária de consciência, essa pressão que parece vir da boca do estômago e te deixa nauseada às vezes? Que fenômeno é esse que consegue te fazer sentir que vai desfalecer, perder o chão, os sentidos, ter vontade de morrer, chorar, pedir clemência, se humilhar implorando por socorro e depois te devolver a sensação de alívio só pra deixar bem claro quem é que manda? Que loucura é essa que te toma intempestivamente e te deixa sem saída, desarmada, frágil e vulnerável???
Será que isso é que amor????
Ou seriam só cólicas menstruais???

domingo, junho 17, 2007

Sobre parques de diversões e sensações nausenates.


Parques de diversões são sempre uma boa pedida. Aqueles brinquedos rodopiantes que sacodem o ser humano de um lado pro outro até causar tontura e náusea são mesmo uma maravilha. Náusea sim, mas com felicidade. E além do mais, depois de colocar tudo pra fora você fica pronto pra outra, novinho em folha. E não pense nisso como algo nojento, pense como um momento catártico, afinal gritar até sua garganta doer, pedindo (em vão) pelo amor de Nosso Senhor Jesus Cristo pra o operador parar o “liquidificador de gente” é uma maneira muito eficiente de exorcizar os milhões de demônios que carregamos na alma.

E mesmo que você saia cambaleante e enjoado e prometendo nunca mais colocar os pés no “brinquedo do cão”, vai voltar outras vezes, porque todo mundo é bem masoquista lá no fundinho e porque essa sensação de quase morte (eu sei que todo mundo pensa que vai morrer enquanto está sendo chacoalhado.) é o que motiva a gente a freqüentar esses locais de entretenimento. Se não é pra isso, pra que é, então? O que nos move é a emoção (roda gigante tem emoção?), pulsão de morte (segundo Freud). É justamente aquele friozinho que dá na boca do estômago e o calafrio que desce e sobe pela espinha que fazem a gente ter vontade de testar a vida e a nossa coragem. Pra se ver, como tudo nessa vida promove um momento filosófico.

Fora isso, é gente feliz correndo pelo espaço lúdico o tempo todo, procurando cada vez mais emoção, e mesmo que as faces estejam retorcidas de tanto fazer careta, seja pelo pânico, seja pelo enjôo, existe verdadeira alegria nos corações desafiadores, principalmente a alegria maior de voltar vivo pra casa.

Ai, ai...coisa boa é tudo isso...algodão doce, pipoca, batata frita, gente sorridente, romance na roda gigante, lembranças da infância e gritos estridentes...realmente uma beleza!!!

quarta-feira, maio 30, 2007

..outra vez...


Don't let yourself go, 'cause everybody cries and everybody hurts, sometimes...

(não se deixe levar, todo mundo chora e todo mundo se machuca, às vezes...)

Everybody hurts- REM

Será que alguém já parou pra pensar nos sinais e sintomas que um novo relacionamento provoca no ser humano? Alguém já percebeu que paixão é um troço meio esquizofrênico? E não é que um dia, estudando Psicopatologia, eu me dei conta de que o radical da palavra patologia , páthos, é o mesmo da palavra paixão, e não por coincidência, também significa passividade. Eu sabia que essa história de amor tinha um pezinho na doença. Deve ser por isso que a criatura apaixonada se despersonaliza, fica meio demente, perde o bom senso, sei lá. Ai, já não basta todas as reações fisiológicas que vêm no pacote, a pessoa ainda tem sua atividade cognitiva totalmente alterada, agindo de modo estranho e pouco habitual, como se tivesse acabado de se submeter a uma lobotomia pré-frontal. Clássico!!!

Mas também não dá pra crucificar e nem jogar pedra em ninguém, afinal de contas, quem nunca se rendeu ao charme de alguém que te deixou tonto, sugou todo seu afeto e depois te deixou de coração partido, cantando Everybody hurts, do REM, no chão do quarto escuro? (refiro-me ao que acontece, na maioria das vezes, para os pobres mortais que não tiveram a sorte de encontrar o chinelo velho pro seu pé cansado)

O quadro fica infinitamente pior quando o sujeito percebe, antes de você, que tudo o que aconteceu foi bom e intenso, mas não vai dar em nada. E que a culpa não é sua, o problema é com ele. Outro clássico das desculpas do lado menos interessado num compromisso sério.

Então, chega o momento em que você se humilha, esperneia, perde os cabelos, as unhas, peso, dignidade, jura por tudo que há de mais sagrado nunca mais gostar de ninguém e faz planos de entrar pro primeiro convento que achar no caminho. Não importa, seu coração não dá a mínima pra seus surtos, você irá se apaixonar novamente porque a busca é uma tendência e na primeira oportunidade, como por hábito, você irá fazer tudo errado. Não adianta, somos mulheres cuja carência e comportamento foram forjados numa sociedade machista. Se não tomarmos uma iniciativa, vamos morrer tentando encontrar um par, não pra amar e ter reciprocidade, mas pra nos considerarmos completas e dignas de olharmos pra cara das pessoas sem ter vergonha de existir. Ai nos submetemos aos encantos e desencantos de qualquer girino na esperança de que estes tornem-se ao menos sapos, já que príncipe não existe mais, ou nunca existiu, vai saber se não é mais uma dessas idéias que nossas mães colocam na nossa cabeça quando ainda se é criança. Eu queria que o meu tivesse longos cabelos, usasse jeans bem surrado, all star, adivinhasse meus pensamentos (só os divulgáveis) e fizesse lindos solos de guitarra na minha janela, mas já perdi as esperanças faz tempo.

Acontece todos os dias, em todos os lugares do planeta e aquela máxima que diz: “antes só que mal acompanhada” não funciona pra todas as pessoas nem em todos os momentos. Quando o assunto é namoro então, algumas mulheres e homens (uma minoria, é claro) esquecem da existência de uma coisinha chamada auto-estima e preferem um milhão de vezes uma péssima companhia ao marasmo da solidão. E é por isso, que não pela última vez, você irá se deparar com esta situação, ora cumprindo o papel de protagonista, ora de antagonista. É natural, a gente vai se frustrando e mudando de idéia e de atitude. Muito simples:

"Encalhada, eu??? Nunca minha filha! Ele pode até me humilhar, me trair, me depreciar, mas eu tenho alguém por mim, ta!? Um homem pra chamar de meu. Não sou que nem essas mal amadas que vivem por ai enchendo o peito e falando do orgulho de ser independente. E o que me importa a independência? Eu não estou só nesse mundão não. Tá pensando o que? Tudo bem que não há um dia que ele não me faça verter lágrimas de sangue, mas pelo menos eu tenho por quem chorar, ou você, sinceramente, acha que há mesmo muita vantagem em ter dignidade solteira e mal falada pelos amigos casados? Eu não quero ser vítima da piedade de ninguém. Valorize-se você, se achar justo, minha amiga, mas quando estiver na TPM, toda carente, não me venha choramingar, reclamando por um abraço quente e musculoso. Vire-se com sua dignidade! E tenho dito!"

sábado, abril 21, 2007

Sobre "relacionamentos informais"


Já passou, já passou. Quem sabe outro dia...

Sereníssima- Legião Urbana.


Na era dos relacionamentos descartáveis eu tentei outras possibilidades, as minhas pelo menos, e arrisquei ser alguém que satisfizesse mais a mim e aos outros. O lema era: sem compromisso, sem expectativas...Carpe Diem!!!. Não preciso nem dizer que não deu certo. A idéia era não esperar nada, nem fazer cobranças, já que não se tratava de algo formalizado. Ficou tudo na teoria, na esfera das suposições. Eu me atrapalhei ao fingir ter a autoconfiança que nunca possuí e minha insegurança me desmascarou no ato. Mostrei ser uma canastrona (o feminino de canastrão é mesmo canastrona???) de quinta ao tentar demonstrar desapego. Não consegui levar muito á serio os pré-requisitos básicos pra manter um relacionamento informal. No fim das contas não foi muito funcional, mas experiência de vida é experiência de vida. Há certa altura, eu já não sabia mais qual era o objetivo de tudo aquilo, afinal, qual é o propósito de manter um relacionamento no qual não se investe?

É muito cômodo pra parte mais preguiçosa ou (supostamente) descomprometida não se entregar totalmente, não ceder tudo o que pode, nem investir tudo o que tem disponível. “Relacionamento sem aposta é improdutivo e sem valor”. Eu repito isso todos os dias como um mantra, mas mesmo assim não consegui acreditar piamente que possa dar certo um dia. Acho que ainda sou muito egoísta e covarde pra apostar em algo que possa minar minhas defesas tão bem construídas. Eu tentei e não consegui porque simplesmente não quero abrir mão do que já tenho. Enfim, foi uma possibilidade frustrada de viver de outra forma e possibilidades desfeitas sempre geram luto (que já foi elaborado com sucesso, acho!).

A gente acaba inventando uma série de pequenos empecilhos, que de maneira eufêmica, chamamos de critérios. Eu ainda acho que eles são necessários, nem que seja pra orientar certas atitudes. Mas o pior de tudo é se ver burlando as regras que você mesma criou só pra não ficar sozinha e é por isso que flexibilidade e jogo de cintura são medidas urgentes nesse momento. (utilizar esse argumento pra racionalizar o fato de que você feriu seu próprio código de honra pra estar acompanhada também é muito eficaz!) Relacionar-se é um risco, apaixonar-se também, é estar passível a submeter-se a tudo o que sempre criticou e eu que arrisquei poucas vezes na vida, continuo esperando o momento adequado. Se isso é saudável, eu não sei, mas é seguro. A questão é que meu coração é relativamente inexperiente e até teimoso, mas aprende rápido e é resiliente (até o momento!). Não desistiu de tentar, só age com cautela. Sei que existe algo latente aqui, algo adormecido, louco pra ser despertado. Deve ser a psicose.

Mas, enfim...

Pensando bem, acabo de corroborar minha teoria de que nem todo mundo consegue ser bem resolvido em todo tipo de relacionamento. No campo amoroso sou um fiasco e não me envergonho de admitir que não aprendi durante minha vida simplória a lidar com certas situações, a ser serena e dizer (e fazer) sempre a coisa certa pra manter os vínculos. Assumo minha parcela de responsabilidade e minha falta de habilidade com o sexo oposto. Se alguém conhecer algum curso do tipo: "Aprenda a cultivar um romance sem enlouquecer a si e aos outros". Por favor, avisem!

domingo, março 11, 2007

"Tentando fazer o certo em tempos incertos"

Aquele estágio pelo qual choraminguei o ano passado inteiro finalmente saiu. Se por um lado estou aliviada, por outro aquele velho sentimento de inutilidade foi substituído por uma série de outros que vão desde a insegurança desmedida, passando por processos de somatização e crenças disfuncionais ativadas. Eu não abro mão do meu título de eterna insatisfeita por nada. E não falo isso cheia de orgulho...eu definitivamente não me orgulho de ser uma histérica, o que me conforta é o fato de eu não estar só no mundo.

Experimentar essa diversidade de sentimentos realmente é um fator que leva ao crescimento (ao menos eu espero com todas as minhas forças). Estou treinando minhas habilidades sociais como estudante de psicologia, como pessoa que pode ser paciente e capaz de realizar seu ofício da melhor maneira possível, como “figura de autoridade” que eu não quero ser. Além de tudo isso, ainda tenho que fazer um exercício interno diário pra me livrar dessa insegurança que ainda vai me matar. No mais está tudo certo, é só uma questão de adaptação.

Lidar com pessoas definitivamente não é fácil e eu levei uns quatro anos pra ver na prática como era. E se as pessoas estiverem numa faixa etária de 2 a 15 anos, o trabalho torna-se significativamente mais difícil. Um dia desses uma criaturinha de três anos me perguntou se eu já tinha cem anos. Levando em conta a falta de maturidade cognitiva e a referencia que ela tem do tamanho de um adulto, relevei o comentário e segui em frente. Mas num outro belíssimo dia, um moleque de treze anos me perguntou se eu gostava de rock quando era mais jovem. Fiz cara de samambaia como se não tivesse entendido a parte do “quando era mais jovem”. (como assim??? Eu sou MUITO jovem! Quase um bebê). Foi então que ele jogou essa bem na minha cara: “Você já deve ter uns 31 anos, não?”. Foi um soco no estômago. Só não sei se o pior foi isso ou a cara de estupefato que ele fez quando disse que tinha só 24 anos.

Levando em conta as mesmas referências de cognição que já havia citado, nesse caso, levei pro lado pessoal. (hehe). Pra completar a cena bizarra ele afirma no auge da sua experiência infanto-juvenil: “Tia, você é muito tímida, dá pra perceber de longe!”. Ótimo!!! Minha insegurança anda sendo detectada por menores de idade ao redor do mundo. Ô coisa linda de Deus! É por isso que eu tenho medo deles, principalmente por que tenho dificuldade de me reconhecer nas atitudes que vejo. Tenho uma impressão estranha de não ter vivido minha adolescência. É por essas e outras que estou seriamente tentada a fazer um curso de teatro e de freqüentar uma fonoaudióloga, pra ver se eu aprendo a me fazer escutar.

Bem, entre uma frustração e outra vou tentando me acostumar com essa vida de responsabilidades adultas e confesso que estou um tanto assustada com certas escolhas e com essa dinâmica maluca de ser “dona do meu nariz”. Não é fácil ver as pessoas indo embora por também estarem assumindo outros significados e aspirações pra própria vida. Acho que esse é o momento em que cada um toma seu rumo, o que for mais conveniente e mais satisfatório. Estou numa fase de luto do tempo que passou. Sinto saudades da época em que não era necessário me afastar das pessoas que gosto pra poder crescer.

domingo, fevereiro 25, 2007

Quando as coisas não fluem na sua cabeça vazia...

"Todo carnaval tem seu fim...e é o fim....e é o fim..."


...Graças a Deus...
Não tenho nada a declarar sobre meu carnaval pelo simples fato de que absolutamente nada aconteceu. Fiz tudo o que já havia dito que iria fazer (ou que não iria fazer): não assiti aos desfiles nem ao carnaval de Salvador pela tv. Não assisti ao espetáculo patético daqui e curti muita preguiça, exceto nos momentos em que criava coragem e pegava algo de útil pra ler. Enfim, foram cinco dias que alternaram momentos belíssimos de sentimentos de inutilidade e indolência, aliados a maldizeres contra a própria sorte e uma vontade enorme de que fizessem excursões pra Marte nesse período, inferindo que lá, eu me sentiria em casa.
No mais, o de sempre....caos na vida real, aquecimento global, violência urbana, insatisfação pessoal, ignorância alheia e própria e as agruras da convivência em sociedade capitalista.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Sobre questões estéticas e rechonchudas!


Olha que não ter nascido com uma herança genética favorável é degradante. Essas batalhas colossais contra minha auto-estima ainda vão me matar, por que não há nada mais incômodo do que perder a identidade pra um rótulo e virar ponto de referência.

Você está na sua, de bem com o universo, sem fazer ou desejar mal a um ser humano mesquinho nesse mundo, ai chega uma fulana e diz:

_ Nossa! Tenho uma amiga que é a tua cara. Ela é assim, branquinha, tem o mesmo sorriso e é gordinha, exatamente como você!

(Que coisa linda! E quem te perguntou, sua vaca!?).

Ou então, com toda grosseria e falta de bom senso que ainda pode haver num cidadão, você é obrigada a escutar a seguinte frase num tom de “quem avisa amigo é”, no auge da sabedoria humana:

_ Preciso te dizer uma coisa. Você já chegou ao limite do peso que uma mulher precisa ter pra ainda ser considerada bonita. (muy amigo!!!).

Eu poderia ter ido dormir sem essa. Senti-me como se a minha auto-estima tivesse sido nocauteada no primeiro round com um soco de direita bem no supercílio.

Eu queria informar aos nobres cavalheiros e damas que eu não era assim não. Eu nunca segui o padrão “refugiada do holocausto”, mas também não precisa me fazer sentir uma aberração cromossômica., como se eu tivesse sido um erro estético que precisa ser eliminado.

Eu quero mesmo é ser atraente e linda! Cada dia que passa, vejo que nasci na época errada, por que se eu vivesse na Renascença, eu ia era ser modelo de artista famoso e um quadro com minha figura valeria milhões! É por isso que eu sempre digo que tudo é questão de perspectiva, mas enquanto as que me são apresentadas são totalmente adversas, tento ir como todo mundo, enquadrando-me no modelo. Desculpe, mestre João Paulo, mas esse troço de não ser um homem de massa e sim e um homem coletivo não tá funcionando no momento!

sábado, fevereiro 10, 2007

Sobre as pré- adolescentes e o capitalismo*

Conviver com pré-adolescentes é uma coisa realmente curiosa, principalmente quando se trata de meninas. Não há nada que me irrite mais do que o jeitinho afetado e precoce, as bolsinhas da kipling (ouvi dizer que é o último grito da moda, top de linha entre as mais- mais.) a tira-colo, todas vestidas iguaizinhas, como se tivessem sido produzidas em série. Sem contar as recepções escandalosas ao encontrar uma amiga, com aqueles gritinhos estridentes e insuportáveis e todo estereótipo já conhecido por todos e que eu detesto. Eu não tenho um pingo de empatia por essa espécie de ser humano, o que é deplorável da minha parte. Se eu pretendo ser uma estudiosa do comportamento, então, cadê meu senso de profissionalismo? É essa sensação de “ter que ser” um ser humano exemplar e compreensivo que me mata nas vezes que não consigo.

Sinceramente, eu não lembro de ter sido tão chata na puberdade, mesmo analisando meus arquivos mais remotos. Deve ser só uma questão cultural. Ou será que eu que estou ficando velha e ranzinza, a ponto de sentir inveja da idade que não tenho mais?
NÃO! Definitivamente, não tenho inveja delas, mas estou tentando ser mais tolerante por uma exigência da profissão que escolhi, só não quero recebê-las em meu consultório tão cedo! (o que eu ando aprendendo na faculdade, hein? E a tal da consideração positiva e incondicional? Nunca acreditei nela realmente, pelo menos não na parte que se refere à incondicionalidade...mas estou me trabalhando, juro!).

Eu sei que é só uma fase e que elas só querem chamar a atenção por algum motivo, torpe ou não, mas ás vezes me pergunto se não existe um plano da engenharia genética pra fabricar adultos cada vez mais cedo, pra que haja mais gente produzindo pra manter o capitalismo (olha a loucura da criança aflorando novamente!). Tem alguma coisa nebulosa embutida na alimentação dessas criaturas, afinal, já não se vê por ai meninas de dez anos brincando de boneca. Com quantos anos elas estão menstruando mesmo? Oito? Enfim, a questão não são elas, sou eu! Eu já deveria saber que a expressão: “os incomodados que se retirem” faz todo sentido pra meu sentimento de repulsa por elas e se é assim, ou eu enfrento a realidade ou me retiro. Não creio que seja o caso. Afinal, tanta frustração vivida em 24 anos me ensinou ao menos a ser resiliente. Que venham as pré-adolescentes, então, com todos seus mimos e atitudes antipáticas, eu cuido delas!!!!

sábado, fevereiro 03, 2007

Sobre preguiça e carnaval...ou preguiça no carnaval!

“Vamos comemorar como idiotas todo fevereiro e feriado”
LEGIÃO URBANA- CD DESCOBRIMENTO DO BRASIL



Depois de uma eternidade longe desse lugarzinho acolhedor e depois de toda preguiça curtida nesse período de hibernação, venho aqui solenemente pedir desculpas aos poucos leitores destas besteiras escritas pelo abandono deste blog. É que esse período de férias me deixou improdutiva e meio burra, sei lá, não consegui me mobilizar pra escrever uma linha sequer. E agora que o carnaval se aproxima estou sem saber o que fazer da vida já que todos os meus amigos irão viajar e eu ficarei sozinha nessa cidade tosca, fazendo e pensando coisas tão toscas quanto. Eu tenho que estudar, perder peso e tenho que ficar gostosa até o inicio das aulas, por que já meti isso na cabeça e não há quem tire. Mas há também em mim uma falta de iniciativa que me deixa paralisada e com muita raiva do que eu sou.

Enfim, vamos deixar de lengalenga que das minhas insatisfações pessoais tá todo mundo cansado de saber. O que eu quero saber mesmo é como eu vou enfrentar as festividades carnavalescas que vêm por ai.Não há nada que me deixe mais irritada do que os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. Odeio aquela vinhetinha chata da Globo e detesto ver mulher nua com o peito todo pintado na tv. Desculpem a falta de sensibilidade cultural mas eu dispenso esse tipo de tradição como representante da minha nacionalidade, sem contar que aqueles enredos são muito chatos.Também detesto o carnaval de Salvador por que eu queria estar lá. O que é de lascar é ter que ver pela televisão e se eu tivesse uma turma bem grande pra me acompanhar não pensaria duas vezes. Só não sei se agüentaria horas intermináveis de percurso e axé 24 horas por dia no pé do ouvido, mas depois de estar no meio da bagaça tudo é uma possibilidade animadora.

Mas o que mais me deixa deprimida e de mau humor é o carnaval teresinense com seus desfiles meia-boca, as brigas sem sentido entre as escolas de samba enfeitadas com seus carros alegóricos ridículos, feitos de papelão, isopor e purpurina barata, embalados por enredos de quinta categoria. Se pelo menos investissem na porcaria do espetáculo eu ficaria menos revoltada. Se bem que alguém deve tirar proveito disso e conseguir se divertir. Sorte de quem consegue, eu desisti. E eu não vou pedir desculpas por descer o sarrafo na minha terrinha no que se refere a esse assunto, por que bom senso é necessário sempre e falta de senso de oportunidade tem limite. E não me venham com esse papo de cultura popular que existem outras coisas bem mais proveitosas que esses eventos.

Só pra não dizer que eu detesto tudo no carnaval, adoro o hiato de quatro dias longe das obrigações da vida adulta e ficar de cara pra cima sem fazer absolutamente nada é compensador no fim das contas. E de ficar de cara pra cima eu entendo...e adoro.Estou sinceramente envergonhada pela confissão de minha indolência, mas há prazeres na vida que eu não consigo evitar. Há quem seja viciado em compras, cocaína e chocolate, meu vício é a preguiça descarada.

Bom eu tentei falar de outra coisa, mas a preguiça sempre permeia meus pensamentos e ações. Mas eu vou mudar, eu juro...estou começando agora!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

E tudo recomeça...

Mais um ano inteiro pela frente, repleto de possibilidades e de novos planos. Mais um ano de agonia na expectativa de um estágio ou de ganhar milagrosamente uma bufunfa gorda na megasena, ou quem sabe ainda um restinho de esperança menos pretensiosa de que aquela grana que a mamãe tem pra receber na justiça do trabalho há anos saia . No segundo dia do ano minha rinite alérgica já veio me desejar um feliz ano novo e me lembrar q ela está aqui, firme e forte, me fazendo espirrar até meu cérebro mudar de lugar dentro do crânio e meu nariz ficar tão vermelho a ponto de eu parecer uma das renas do Papai Noel. (pras festividades da época, é até sugestivo!).

Nesse ano não desejei nada, só relaxei e deixei o primeiro dia do ano chegar, isento de promessas que eu não possa cumprir. Acho que esse é o segredo, pois todo ano prometo estudar mais e comer menos, ser menos carente e mais legal, ser mais extrovertida e decidida e menos bicho do mato e vacilante e SEMPRE prometo emagrecer e NUNCA consigo, e este ano, justo este que não prometi nem ser uma boa cristã, comecei com o pé direito e dois quilos a menos. (muito reforçador!). Também estreitei os laços com meu avô, não que a gente não se falasse mais, mas não conversava mais. Há muito tempo deixei de escutar o que meu avô tinha pra dizer e ouvi cada palavra numa conversinha boa debaixo de chuva fina, e mesmo não concordando com mais da metade do que ele dizia, ouvia tudo com parcimônia e atenção, afinal quem sou pra querer mudar uma vida inteira de crenças que, apesar de tudo, são o que ainda o mantêm de pé. E nem precisei prometer nada. Eu só fiz.

É certo também que comecei o ano mais pobre, pois não tinha crédito nem pra desejar um ano novo mais ou menos pro pessoal, mas pensei em cada amigo querido, cada ente amado e pessoas que eu só conheço virtualmente, mas que de alguma forma estão próximas e desejei coisas boas e realizáveis pra todos eles (pra compensar os pedidos que não fiz pra mim) e pensei em como eles fazem da minha vida sem graça (às vezes) um lugar muito melhor e mais colorido, um lugar onde eu veja algum sentido pra minha existência. E não repensei sobre nada do que fiz ou do que se passou comigo. Tava com preguiça de ruminar lamentações, além de que coisas boas vêm á mente sem que precisemos fazer muito esforço, portanto, tudo o que fiz foi olhar para os ponteiros do relógio e esperar dar meia noite, a porta de entrada para o primeiro dia de novos projetos. Pela primeira vez não senti nada estranho, não senti nada mudar dentro de mim, nenhuma pontinha de frio na barriga ou expectativa, era só mais uma meia noite e mais um 1º de janeiro.
.
Mesmo não acreditando mais em superstições, principalmente as de fim de ano, resolvi dar o braço a torcer e virei o ano toda de cor-de-rosa
, parecendo um sorvete de groselha gigante. Tudo isso por que, segundo minha melhor amiga, preciso arrumar um namorado este ano, custe o que custar (mesmo que o custo seja meu bom senso!), o que pra mim é um pedido questionável, já que não sei o que vou encontrar pela frente. O fato é que ainda não descobri se os homens são um mal necessário ou um bem desnecessário... e vou continuar sem saber, pelo andar dessa carruagem de abóbora! Á meia noite a mesma amiga me ligou pra desejar “tudo de bom” e me avisou que na verdade rosa trazia amor universal e que eu deveria estar usando vermelho. Àquela altura do campeonato já não fazia mais diferença...tanto fazia a cor da roupa que eu tava usando, se eu não fizer por onde não vou conseguir seduzir nem o carteiro.
Enfim...o ano tá só começando...vamos ver no que vai dar, sem ansiedade ou desespero pra coisa alguma...portanto...esperemos...apesar de eu detestar esperar, mas esperemos!



domingo, dezembro 17, 2006

Considerações a respeito das minhas impressões sobre o amor!

Este texto é só pra fazer algumas considerações sobre o texto anterior e pra dirimir (aprendi sábado na aula de avaliação e aconselhamento...hehe) qualquer dúvida ou mal entendido em relação à minha opinião sobre romance e amor. Desculpem se estou sendo repetitiva, mas senti necessidade de colocar os pingos nos is, como dizem por aí.

Pois bem! Eu queria declarar que eu acredito no amor SIM e que não estou fechada para ele de forma alguma. Também não estou dizendo que não sou passível de incorrer no mesmo erro (de acordo com meu julgamento). Só acho contraproducente e disfuncional viver desta forma, ora mais! Um casal é feito por duas pessoas distintas e individuais, certo? Sendo assim, não faz o menooorrrr sentido querer ser uma coisa só, mesmo por que cada um foi construído de um jeito e tem suas singularidades. Se seu relacionamento chega a um ponto em que não se sabe mais se você é seu amor ou se ele é você (bem clichê de letra de música romântica, né?), PRA MIM já é avacalhação. Sabiam que o fato de uma pessoa perder a própria fronteira de ego e julgar misturar-se a outra pessoa é uma característica esquizofrênica? Vai ver que é por isso que dizem que ficamos loucos de paixão e coisa do gênero...vai saber!

Pois é, eu não estou dizendo que não possa ficar louca, só estou dizendo que neste momento, enquanto ainda estou consciente e (supostamente) sã mentalmente, não quero ter que achar que eu e meu futuro amado teremos que ser necessariamente uma pessoa só. Eu posso ter minha identidade preservada e ainda assim me entregar plenamente a esse sentimento avassalador desejado por tudo que é ser humano nesse planeta. Eu desejo amor, mas não desejo submissão. Eu quero um companheiro e não um carcereiro (ih..rimou!). Mas é o que EU desejo e desejar não custa nada. (quer dizer, custa um namorado se você desejar alto demais). Também não precisamos aceitar qualquer porcaria só pra não ficar sozinho, não é ,meu povo? Cadê nossa dignidade? A gente tem que se valorizar!

Tá! Pode ser que o tiro saia pela culatra e eu me pegue fazendo tudo o que abomino num namoro. Abandone meus amigos, deixe de gostar das minhas coisinhas, passe a ouvir pagode, não saia mais de casa se ele não deixar, só por que ele me completa em todos os sentidos. E pode até ser também que eu veja todo sentido do mundo nisso. Mas quando o “amor da minha vida”, a “razão do meu viver” (e podem acreditar que há outras razões pra minha existência) me der um belo pé na bunda e eu não tiver mais a quem recorrer, eu direi em voz alta e magoada: É! não fez o menor sentido!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Das minhas impressões sobre o amor!

Por que será que tudo o que presencio por aí só corrobora minha idéia de que amor ou paixão (sei lá, tanto faz!) só aliena e aprisiona? O que é que faz as pessoas abdicarem totalmente de suas existências pra viver em função de outra pessoa? Será que não existe nenhum outro jeito de trocar afeto que seja mais saudável e mais sereno? Ainda não conheci na prática, nem minha, nem dos outros, uma maneira menos estressante de se relacionar, tudo o que vejo só confirma um fato: amor (pelo menos do jeito que as pessoas o tratam) traz anulação!

Sinceramente isso não me é conveniente e talvez seja esse o motivo de eu ser tão complicada, por que não quero abrir mão de mim pra viver a vida de outra pessoa. Amar traz outras atribuições, é outra coisa (ao que parece inexistente!) que não precisa interferir na autonomia de ninguém. Só acho desnecessário certas atitudes de despersonalização e perda de identidade.

Tá certo que assisti novela mexicana demais na vida e gosto um bocado de bolero, mas nem por isso acredito piamente nessa fantasia criada nestes folhetins e jargões ao estilo Luis Miguel em No me platiques más que diz:... y que nacimos el mismo instante en que nos conocimos... (tradução desnecessária, né?) não rola comigo e nem por isso me sinto menos romântica que ninguém, é só uma questão de coerência. Afinal eu tenho 24 anos de idade, são pelo menos 8760 dias de existência nesse mundão antes de conhecer “minha outra metade”, não faz o menor sentido eu zerar tudo e recomeçar a viver de outro modo. No mínimo, daria um trabalhão. Se já é difícil conviver com o que eu me tornei, imaginem se eu tivesse que construir tudo de novo. Façam- me o favor!

Mas quem sou eu pra criticar os enamorados deste planeta, não é mesmo? Logo a pessoa menos indicada, a que jamais soube na prática como viver nessa dinâmica amorosa, a que jamais proferiu palavrinhas melosas ou apelidinhos fofinhos e açucarados do tipo: moxim (variação de amorzinho, só que beeeemmm mais meloso), neném, cajuzinho (os clássicos) dentre milhões que não escrevo aqui por que estou com preguiça.

Apesar da visão pessimista (eu diria realista..hehe) e da opinião ácida, acredito no amor, mesmo nos que existem de maneira disfuncional e desejo aos que, como Lulu Santos, consideram justa toda forma de amor (e eu também considero, no fundo!) que consigam mesmo viver satisfatoriamente de acordo com as crenças que lhes forem mais convenientes. Talvez eu esteja precisando me apaixonar e descobrir se romantismo exagerado e dependência fazem de mim um ser humano mais feliz e sensível (será?)

Acreditar que os vossos romances podem dar certo pra sempre talvez seja o primeiro passo, o voto de confiança necessário pra impulsionar os sonhos compartilhados. Vai saber...um dia a gente acha um jeito de adequar nossas exigências em algum(a) santo(a) que saiba como satisfazê-las ou então muda os critérios...sei lá, a gente vai levando, ora descrentes, ora otimistas, do jeito que der...e chega de tanto blá blá blá sem fundamento!


domingo, dezembro 10, 2006

Sobre AINDA querer ser uma diva!


Continuo felicíssima com meu cabelo “novo”, radiante e livre para voar (não fazendo alusão a nenhum animal da família dos galináceos). Agora a meta é, como já havia declarado, diminuir o sobrepeso e seguir minha caminhada rumo á conquista do Universo (masculino, preferencialmente, mas não exclusivamente! Claro que pra isso preciso vencer minha ansiedade cruel e a preguiça que guia este corpo desde o dia em que ele veio ao mundo.

Então, saladas suuuuperrrr saudáveis e deliciosíssimas (leiam em tom de ironia, por favor!) ocuparão todo espaço no cardápio, no lugar de tudo o que houver neste planeta de mais gostoso e engordativo (infelizmente!). Adeus à tudo o que “engorda e faz crescer (a barriga)” e boas vindas ao perfil
“sou- da- geração saúde-mente sã- corpo são” ou coisa parecida.

Ironias á parte, ando mesmo com uma sensação de leveza (literalmente!). É mesmo de impressionar como pequenas iniciativas promotoras de mudanças simples podem influenciar muito na melhora de sua rotina e auto-estima. Eu ainda não me rendi á parte suja do negócio (refiro-me aos exercícios físicos), mas é só uma questão de tempo (livre).

Aproveitando o ensejo, queria só dar um recadinho curto e grosso aos “cavalheiros” mais desavisados: as mulheres sabem muito bem, por questão de auto critica exagerada, quando estão acima do peso. Dizer a uma mulher que ela está gorda, além de ser indelicadeza desnecessária e um fato óbvio, é uma bela e plausível justificativa pra assassinato.

Enfim, não vou mais esperar. Deixarei que a diva que se encontra oculta nesta alma saia do armário velho e mal iluminado em que habita e arrase!!!


Nem que seja por quinze minutos.. .