domingo, março 21, 2010

Sobre opressão e o "sexo frágil"

"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher. Sou minha mãe, minha filha, minha irmã, minha menina. Mas sou minha, só minha e não de quem quiser. Sou Deus. Tua deusa, meu amor."
1º de JULHO - LEGIÃO URBANA


"Mulher é um bicho complicado." Foi com base nesta memorável representação sobre as mulheres proferida por um nobre cavalheiro, conhecido meu,  em pleno mès de comemoração de seu dia que pensei em algumas considerações a respeito das distinções históricas entre machos e fêmeas. Com certeza não há nada de novo nestes pensamentos, mas há em mim uma necessidade crescente de reflexão sobre algumas posturas, para, quem sabe, o esboço de um movimento timidamente revolucionário.

Pois bem. Ainda não se superou o conflito que vem da seguinte dúvida: somos mesmo complicadas, um saco de hormônios desregulados ou são nossos estimados machos tão preguiçosos a ponto de nem se darem ao trabalho de se comprometer e compreender o que acontece além do que a visão em túnel lhes permite enxergar? De quem será a culpa (ou responsabilidade) pela falha comunicacional entre os habitantes de Marte e de Vênus?

O fato é que somos seres socialmente construídos e a nossa cultura (sobretudo a piauiense) promove homens acomodados e mulheres carentes. Neste caso surge uma insatisfação e uma esperança. Insatisfação por estarmos presos a uma engrenagem cruel com a categoria feminina, já que o ônus e a culpa estão sempre pesando na nossa bagagem emocional. Esperança por saber que ainda se pode romper com certos padrões, mesmo que isso soe como uma ideologia barata e ingênua. Infelizmente, no fim das contas, se avaliarmos bem certas situações do cotidiano perceberemos (ou constataremos) que a corda sempre arrebenta do lado do "sexo frágil."

Não é incomum se recorrer ao velho clichê psicanalítico (falando bem grosseiramente) pra justificar as perversões, neuroses e psicoses nossas de cada dia. Quando tudo dá errado ou quando sofremos de qualquer transtorno a culpa é da mãe, que à princípio é mulher (as possibilidades de papeis sociais são imensas). Falando em clichê, recorreremos às velhas comparações. Se um homem é bem sucedido, rico e solteiro aos 40 anos é um bom partido, se é a mulher que possui essas qualidades é mal amada ou perdeu muito tempo querendo ser um homem. Papai e mamãe ensinam à menina a ser doce, delicada, recatada e servil e ao menino a ser forte, viril, determinado e firme. Não é à toa que o encontro entre essas duas criaturas é controverso desde o início, já que são estimulados a terem posturas quase antangônicas, principalmente no que diz respeito ao embate Recato X Virilidade. Porém, se aliado ao recato o fator subserviência estiver bem internalizado a força e a virilidade vencem de 10 X 0.

Faz parte dos direitos e deveres da mulher seduzir, conquistar e manter o relacionamento. Da mesma forma que a responsabilidade pelo fracasso de uma relação é inevitavelmente da mulher, seja porque ela é uma chata-carente, uma doida-displicente ou um coração de pedra incapaz de se comprometer. É atribuição da mulher apimentar a relação, descobrir coisas novas e trazer fantasia á realidade e é também ela que na maioria das vezes cede sexual e emocionalmente. E a sensação que fica é que é preciso ser a princesa perfeita pra conquistar qualquer sapo e ao que parece há mais princesas que sapos nesta lagoa, o que valoriza a cotação deles (a maldita lei da oferta e da procura) oferecendo-lhes as melhores possibilidades e nos deixando quase sem escolha.

É claro que todos estes argumentos são feitos de forma bem generalizada e não se trata de defender a supremacia do feminino sobre o masculino, mas como prega uma grande amiga, é uma questão de igualdade de direitos. Trata-se de amadurecer pensamentos sobre as posturas masculinas e femininas pra saber como negociar, como se libertar da opressão de uma vida inteira sem precisar partir pra ignorância ou queimar roupas íntimas em praça pública, pra refletir sobre a educação de nossos filhos, pra tentar mudar o mínimo, pra treinar a empatia e saber dialogar com nossos ficantes, namorados e maridos, pra conservarmos nossa dignidade nos atos mais simples. Definitivamente, não se trata de quem é frágil ou forte, é uma questão de entender e enxergar as multiplicidades.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Sobre culpa, autopurgação e maldições amorosas


Certa vez, na circunstância dramática de um término de namoro, um ex enfurecido e exausto me disse: "Sabe o que vai acontecer? O meu barco vai continuar navegando enquanto o seu afundar!" Naquela hora eu só achei que era uma ameaça meio brega, meio ressentida, mas essas palavrinhas me atormentam há muito tempo e é inevitável pensar nelas quando tudo dá errado nos meus relacionamentos. A referência ao Titanic foi uma maldição, uma profecia ou só uma maneira zangada e metafórica de dizer que minhas crenças rígidas e intolerância ainda renderiam sérios problemas de socialização com o sexo oposto?

Sem respostas para as minhas dúvidas, o certo é que o barco dele já deve estar chegando na Jamaica, enquanto o meu está fadado a um naufrágio sem precedentes e eu nem sei nadar. Trágico!

Será que quando os ressentimentos de nossos amores passados persistem as maldições e desejos de vingança contra sua pessoa ganham força descomunal? Como um combo em um jogo de video game, as energias negativas de todos eles se acumulam pra perseguí-la por toda a vida? Será esse o motivo de eu estar condenada a viver 50 anos em inferno astral, trancada num calabouço afetivo, como os personagens da Caverna do Dragão, privados por um Vingador de sua liberdade? Ou é tudo responsabilidade minha?

Talvez eu descubra em terapia e talvez confirme que enquanto minha "canoa furada" inunda minhas possibilidades, a culpa me atormentará até o fim, porque é esse vermezinho que me constitui e toma conta da minha alma cheia de pequenos pecados. Culpa por achar que já magoei alguém e mereço arder no fogo do inferno por causa disso. Culpa por não ter dado as chances necessárias pra transformar o outro numa pessoa desejável. Culpa por ser teimosa e burra. E se eu pensar na culpa que tenho até por existir, concluo que a responsabilidade é mesmo toda minha. À bem da verdade, culpa é uma coisinha que as mães, primeiramente e, depois os nossos homens, sabem incutir perfeitamente em nossas cabeças neuróticas.

Mas nem tudo está perdido, pois enquanto houver um copo descartável (pra livrar-nos da água excedente do nosso navio naufragado) e expectativas, haverá luta! E se nada der certo, ainda pode-se aprender a nadar. Afinal, de uma forma ou de outra, todos conseguimos reunir recursos pra sobrevivermos aos nossos tsunamis pessoais.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Sobre como ser uma top model esnobe e desejável!

"Eu sou a melhor! Eu sou e sei que sou. No quê, não vem ao caso...é uma coisa anterior!"
EU SOU A MELHOR, MARISA ORTH

 

               Meus caros, acho que fiz a grande descoberta de uma vida inteira! Existe uma diva glamurosa e esnobe dentro de cada alma feminina. E a fórmula é simples: um fotógrafo competente +um iluminador impecável + maquiagem perfeita + Picasa = “super top model esnobe mais desejável que a Madonna posso tudo e tenho todos sou linda milionária e te desprezo”.

               É só deixar fluir a soberba oculta e latente que pulsa dentro de cada ser humano e os resultados podem arrancar lágrimas de satisfação de qualquer fêmea por ver sua auto-estima sendo resgatada dos escombros.

                Sabe aquele olhar de desprezo agregado ao semblante blasé? Só as super top models sabem fazer com perfeição e agora eu, não porque me sobra auto-confiança e sedução, mas porque sou míope e preciso fazer grandes esforços para enxergar e manter o foco. Mas não importam os meios, os fins são o que dão o mérito da coisa toda.

                Se a auto-propaganda é enganosa? Pouco interessa. Uma foto perfeita vale mais que mil seres sem graça e sem maquiagem da vida real e podem permanecer pela eternidade, enquanto sua melhor produção, aliada a seu senso de humor e charme pode durar pouco mais de três horas.  De qualquer forma, é uma bela alternativa pro seu cartão de visitas.  Pra saber se é real ou ideal, é preciso pagar pra ver e o cachê por tamanha exposição é alto. Afinal, top models não são ricas à toa!

                Além do mais, se a isca for boa e a mulher inteligente e simpática o suficiente pra driblar as possíveis decepções, não haverá grandes riscos de se recorrer ao Código de Defesa do Consumidor. E eu ainda acredito que haja homens espertos o suficiente pra entender que sem uma boa maquiagem e um bom programa de retoques essas modelos de revista são tão verdadeiras quanto promessa de político, por isso, um marketing pessoal de vez em quando não faz mal a ninguém e quem sabe possa render outras possibilidades além de dinheiro, fama e glamour.

domingo, fevereiro 07, 2010

Quando o amor acontece



“Oh, my friend love is the end.”
(LOVE IS THE END – KEANE)



A busca pelo grande amor é um inevitável clichê não só nestes escritos, mas também nas conversas cotidianas, nos seriados e filmes preferidos e, obviamente, na imaginação de 9 entre 10 mulheres (ainda duvido se é isso mesmo que a maioria dos homens espera, portanto, falo somente por minha categoria). Não só porque somos socialmente e emocionalmente forçados a termos um par para não parecermos rejeitados pela humanidade, mas porque o amparo e o conforto de ter um parceiro é o objetivo final dessa busca, por carência inata e/ou construída ou por medo do ultraje afetivo de morrer solteira e “Tia”.
Pois bem, se amar e ser amado é a finalidade de todo sujeito carente, me pergunto: quantos têm sorte nesta saga? Ou melhor: quantos conseguem se permitir ao amor, sem defesas, traumas ou medo? Quantos conseguem ir à luta mesmo quando se ferir mortalmente é a probabilidade mais cogitada? Ou quantos abrem mão de sua inflexibilidade pra tentar apreender o que há de melhor no outro, mesmo quando isso parece mais nebuloso do que fim de filme de suspense? Quantos homens conseguem oferecer conforto e segurança a suas mulheres sem se sentirem ameaçados em sua virilidade e quantas mulheres conseguem superar a histeria e encontrar o meio termo entre a submissão desesperada e a auto-suficiência narcísica? E quantas pessoas, leigas ou especialistas, conseguem responder a estes questionamentos serenamente sem estarem envolvidos até o pescoço num relacionamento quase sempre problemático ou fugindo dele como o diabo da cruz?
Pra ser bem sucedido nessa busca é necessário baixar a guarda e se entregar, isso é certo. Ideologias de libertação feminina dos grilhões impostos (simbólica e literalmente) pelos machos perversos chocam e são sempre mal interpretadas (e é claro que nem todos os machos são perversos). O saldo disso são anos de rejeição e embotamento afetivo, porque em matéria de amor, homens e mulheres falam dialetos diferentes, diferença que pode causar traumas irrecuperáveis. O remédio é saber quando devemos ceder e quando devemos recuar, porque embora meu ceticismo ainda me cegue, eu sei e reconheço que alguns homens até arriscam recorrer a um dicionário pra nos entender e satisfazer nossos desejos neuróticos. Sim, estes tesouros ainda existem, mas com certeza nunca estiveram comigo. Reconheço também que um relacionamento é construído por duas pessoas (é o esperado) e ambos os seres implicados têm responsabilidade no êxito e no fracasso de uma união, por isso abrir mão de alguém que não atende a todos os seus requisitos é egoísta e presunçoso. No fim, ninguém tem necessariamente culpa de não se encaixar nos padrões afetivos uns dos outros, as experiências só precisam acontecer.
É necessário conhecer todo tipo de gente e reconhecer que é provável sofrer muitas vezes e que isso não é impedimento para apostar em cada possibilidade. Fugir disso e esperar que a pessoa ideal surja sem nenhum esforço na primeira tentativa é um recurso acomodado e patológico, pois não dá a chance de experimentar. E ter consciência disso tudo como se tivesse acabado de inventar a roda não adianta nada se não for colocado em prática. Definitivamente, não passo de uma demagoga, por isso escrevo o que penso e não consigo praticar. E não se pode mesmo saber quando termina a busca. Geralmente acontece quando encontramos o que queríamos (ou quase isso) ou quando cansamos do ritual e da espera. Mas buscar ainda é preciso e é inevitável mesmo pros seres humanos mais incrédulos. Eu acredito no amor e também o desejo, porque o vejo muito perto e sei que é possível, não com respeito a mim, mas às pessoas à minha volta e isso, com certeza, me faz continuar esperando.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Sobre desastres afetivos e superação


"Queria ser doutor pra te salvar com vida, mas no seu tempo eu sou horário de visita. Você entende só o que lhe convém. Não sou complicado entender." MELHOR ASSIM: GRAM

"Te dei comida, velei teu sono, fui teu amigo, te levei comigo e me diz: pra mim, o que é que ficou? [...]Acho que te amava. Agora, acho que te odeio. São tudo pequenas coisas e tudo deve passar" MENINOS E MENINAS: LEGIÃO URBANA

Já se comentou em outra ocasião sobre os perigos que o amor oferece e sobre como a gente pode se quebrar todo se resolver entrar de cabeça e sem cautela, aliás, cautela é uma palavra em desusuo no dicionário amoroso, já que em relacionamentos não há o que prever ou prevenir sem cair no equívovo de tornar tudo calculado, contabilizado e racionalizado. Quando baixamos a guarda e nos tornamos vulneráveis ficamos expostos a desastres cruéis, mas sobrevivemos. Como aquela personagem da série Heroes da qual não me recordo o nome agora, limpamos o sangue, colocamos todos os ossos em seus devidos lugares, ajeitamos o cabelo e voltamos pra guerra. É que no amor, somos mesmo Highlanders, porque precisamos ser, porque correr risco faz parte de tudo o que a gente vivenciar e supõe também fracassos e decepções.

Eu tenho minhas armaduras super-poderosas, infalíveis, na maioria das vezes, no papel de me deixar ilesa. E tem pra todos os estilos, prateadas, douradas, reluzentes, blindadas até o elmo [e a alma] mas que, por outro lado, não são nada práticas, pesam muito na bagagem emocional e estão pelo menos uns 700 anos em atraso com o mundo fashion. Pros meus amigos eu prefiro um figurino mais leve para o amor, talvez não tão seguro, mas com certeza mais bonito, atraente e estimulante do ponto de vista afetivo e da saúde mental.

Porque apesar de toda resistência sei que amar traz contradições necessárias pra nossas experiências, sei que dar afeto às pessoas certas e/ou erradas nos faz sentir mais vivos e felizes na maior parte do tempo. Porque sei que temos que enfrentar inclusive a contradição de amar pessoas também contraditórias mesmo que não exista nenhum motivo coerente pra isso e talvez coerência não caiba definitivamente neste espaço. Porque sei que às vezes investimos demais em negócios arriscados, potencialmente fracassados e mesmo assim preferimos acreditar que é possível. Porque no mundo capitalista, até nas questões afetivas, investimos apenas diante de retorno garantido, no mínimo na mesma quantidade e proporção, mas nunca menos do que precisamos e achamos justo. Porque temos a plena consciência de quando amamos alguém que não está preparado pra amar na medida em que desejamos, que não tem estrutura pra sustentar uma relação, assumir compromissos e entregas, dar suporte aos sentimentos que fluem em mão dupla e superar os próprios conflitos e, ainda assim, amamos simplesmente porque acreditamos até o fim que podemos mudar qualquer situação só com bem querer. E é por isso que também achamos justo quando damos tudo até pra quem não nos merece [apesar de não saber qual o parâmetro pra merecimento].

Porque sei que sempre achamos que aquele pequeno defeito ou aquelas pequenas incoerências que se repetem tantas vezes até nos cegar durante o cotidiano são muito menores do que o que sentimos e quando sentimos muito achamos que podemos o impossível. E é por causa disso que dói tanto quando nos traem e refiro-me a bem mais que dividir afeto com outras pessoas além de você, falar desnecessariamente de ex-amores, de amparar a  auto-estima às custas dos desejos de outros esfregados na sua cara e às custas de sua carência afetiva por insegurança forjada e estimulada. Refiro-me à traição de sentimento e confiança, à incapacidade de defender com firmeza desculpas fajutas pra justificar falta de consideração e respeito.

E não se trata de reconhecer tudo isso pra se lamentar depois [lamentações só são recomendadas durante a fase de luto, depois não.] Não se trata de usar tudo isso como justificativa pra acomodação afetiva e auto-proteção. Também não se trata de usar estes argumentos pra provar que não vale a pena estar apaixonado, cometer burrices imperdoáveis, mas também se sentir bem por estar amparado e comprometido. Vai chegar um momento em que não importará mais se não te trataram bem, se te preteriram, se subvalorizaram seu afeto ou sequer entenderam ou ouviram o que você tinha pra dizer. Isso acontece!

Tudo bem se você foi um amor de ocasião, adaptado ao estado de humor ou ao dia da semana mais coveniente. E se você foi só a pessoa da quarta-feira, tanto faz! O que interessa é que é justamente nessa hora que vemos que podemos contar com as pessoas realmente significativas em nossas vidas, em qualquer circunstância e que elas nos oferecerão ombros e colo e daraõ conselhos, muitas vezes, impraticáveis, mas só porque nos cuidam e nos compreendem mesmo em estágio avançado de demência. É bem nessa hora que podemos regredir aos 5 anos de idade sem parecermos infantis e que podemos sentir pena de nós mesmos, pois auto-comiseração é mais do que merecida neste momento. É bem aí que ouvimos muitas vezes ao dia que somos melhores e mais fortes que nossos algozes e que nós sobreviveremos. Mesmo doloridos, com o coração remendado e o peito arrebentado, juntamos os cacos, colamos os ossos e nos abrimos pro que há de vir. Isso acontece e que bom que acontece!


quarta-feira, novembro 04, 2009

Sobre Concurso Público, riqueza e poder.


Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas.

Darcy Ribeiro


Ser ou não ser [concursado]? Eis a questão!

Para ter riqueza, reconhecimento e poder o sujeito se adéqua a qualquer realidade, cada um de acordo com sua meta. Neste caso, pode-se recorrer à Hollywood, à Rede Globo, a grandes cargos políticos, escândalos tenebrosos pra aparecer a todo custo ou ao meio mais vislumbrado da atualidade: o Concurso Público. Com êxito garantido na prova de seleção mais difícil da vida adulta pós-vestibular [por motivos que vão da sorte ao ajuste do sujeito às particularidades da CONCURSOLÂNDIA], riqueza é um fato certo em alguns casos; o reconhecimento e o poder vêm junto no pacote e no rótulo de concursado. Para algumas pessoas passar em um concurso pode significar estabilidade financeira, libertação dos grilhões do proletariado, a paz de espírito necessária para sustentar a saúde mental e evitar um Burn out, uma depressão no trabalho e etc e aí eu acho justo. Para outras pessoas pode significar fama, dinheiro a dar com pau sem fazer esforço algum, uma vez que o status de concursado foi adquirido e quanto a isso eu não vou me posicionar, pelo menos não neste trecho.

O que é certo é que 10 entre 10 seres humanos desejam passar em um Concurso Público [é uma estimativa exagerada?]. A massificação do concurso é uma coisa tão extraordinária que alguém que dissesse que não quer fazer concurso poderia ser executado em praça pública por blasfemar contra a globalização e o capitalismo. Este ser bizarro que não tem como projeto de vida passar em qualquer concurso que seja, pra se estabilizar, pra ter dinheiro pra bancar suas necessidades consumistas, pra ser considerado o ser mais inteligente da face da Terra por ter feito não sei quantos pontos e ter se classificado em primeiro lugar para não sei que cargo suuuuuuuuuper concorrido, oferecedor de pompa e regalias diversas; esse extra-terrestre está fadado à pobreza eterna [financeiramente falando] e ao exílio para a FRACASSOLÂNDIA. Pois bem, eu devo admitir que cheguei à conclusão linda e penosa [como tudo que é martírio nesse mundo] de que eu sou este ser. Eu remo contra a maré, eu tento [quase sangrando] não me submeter a tudo que é padrão social, não por birra, mas porque ainda me guio por minhas ideologias baratas e pouco acreditadas e por causa disso posso morrer pobre ou submissa a uma empresa privada; só porque não quero estudar pra concurso. [não agora e não pra esses]

Claro que eu tenho uma consciência dolorosa sobre o mundo que me cerca, claro que o monstro consumista que existe neste corpo e nesta alma se manifesta muitas vezes ao dia e promove uma vontade ardente de mandar essas ideologiazinhas pro inferno e me entregar à alienação do luxo e da estética, de encarnar uma personagem do Manoel Carlos, dessas que só comem salada, bebem muito e torram todo o dinheiro que nasce em um poço subterrâneo [só pode] em compras e em viagens internacionais. Sendo assim, se não for pela Megasena ou se eu não der um golpe num idoso milionário, só o concurso pode proporcionar este sonho glamuroso, confortável e alienado. Mas como sei que todas estas alternativas me são inviáveis no momento, prefiro fundamentar meus desejos nas minhas ideologias baratas, porém limpinhas. Eis o mistério da Fé e da contradição! Como acredito que tenho capacidade pra trabalhar e manter meus pequenos luxos, mesmo que meu dinheiro não nasça numa mangueira, como acredito que posso conhecer muitas coisas fora da Concursolândia e acredito acima de tudo em um conceito muito diferente sobre inteligência, prefiro meu mundo de pequenas lutas diárias. Não é que esteja fazendo uma apologia ao fim dos concursos, afinal, acredito na democracia, eu só defendo aqui o direito de viver na Fracassolândia em paz e com dignidade.

quarta-feira, setembro 23, 2009

"A comédia da vida privada"

[Discurso de uma neurótica a seu ficante, amante, caso, relacionamento não definido ou namorado potencial]

"Não leva a mal o que eu vou dizer, tá?. É que eu não vejo graça nesses jargões sexuais que você usa quase sempre quando quer me elogiar. Eu devia ficar feliz por ser desejada, mas não desse jeito. Por que tem que ser tudo tão direto e esculachado? Não dá pra ter o mínimo de criatividade e senso de sedução? Pra falar a verdade, eu fico inexplicavelmente [ou explicavelmente] incomodada, porque parece que só te interessa o que há entre minhas pernas ou o que está periférico a isso. Só isso não me apetece. Eu quero mais. Eu quero ser mais pra você. Eu quero ser inteligência, inspiração, desejo, motivação e um monte de outras coisas que eu posso ser e você nem enxerga ou sequer supõe. Essa sacanagenzinha toda que você fala, às vezes, me desqualifica. É uma questão minha. Eu sei. Isso é entre mim, minha mãe, Freud e um terapeuta pra interpretar. Eu sei. No bom popular: 'É um problema sexual meu'. Sim, é. Mas nós somos um casal, não somos? Não no sentido lírico, romântico e cor de rosa. Não há violinos tocando ao fundo de nossas conversas. Talvez nós não funcionemos da maneira mais idealizada, mas no sentido genérico HOMEM+MULHER, sim, nós somos um casal. Então, sinto informar que se você me quer como diz, me deseja como diz, me acha linda e coisa e tal, a partir de agora, meu caro, é uma questão sua também. Uma questão nossa! Porque você é o outro ser implicado nessa relação e se você não deixar de me tratar como uma boneca inflável de carne e osso, vai continuar sendo mesmo uma questão só minha, entedeu? Ou de qualquer outra pessoa que tenha o mínimo de empatia e sensibilidade. Não tome isso como ameaça, é só uma advertência. Tudo pelo bem do nosso relacionamento."

[Depois do monólogo travestido de lição de moral, o fulaninho saiu pra comprar cigarro e nunca mais voltou!]

sexta-feira, setembro 11, 2009

Sobre vingança e outros assuntos não-cristãos


Como é que dizem mesmo? “Vingança é um prato que se come frio”. Bem, eu tenho uma natureza vingativa velada, trancada a sete chaves dentro de mim, mas que não conseguiria negar por honestidade compulsiva. Se é um prato, pouco importa, poderia ser uma tigela, uma bacia ou um pires, mas minha ansiedade não suportaria que eu deixasse esfriar pra degustar. Por outro lado meu superego gritaria comigo e me faria chorar copiosamente se eu infligisse algum mal ao próximo. Nesse caso, a saída possível é desejar coisas horríveis aos meus desafetos, em silêncio, com uma ânsia sufocadora por justiça, mas sempre pedindo desculpas por deixar aparecer meu lado perverso e pouco cristão.

Pois bem, já que não posso colocar meus planos de vingança em prática porque sou uma histérica - e sair da condição de vitima poderia me render um câncer ou uma esofagite ou ainda um lugar no inferno - fico especialmente feliz quando os atos vingativos acontecem, não por minha responsabilidade, e aí está o alívio, mas por questão de justiça incontestável. É bem nessa hora que você constata que os seus sentimentos quanto àquele sujeito detestável, narcisista, perverso e infantil que partiu o coração de sua amiga e o seu por ter acreditado nele tanto quanto ela e que teve o que mereceu na hora certa, com toda pompa e circunstância, não correspondem ao ódio desmedido e passível de recriminação, mas tão simplesmente a um retorno justo de todo mal causado. Conspiração do cosmos, da Via Láctea ou de qualquer galáxia longínqua, ou só a materialização de meus desejos inconscientes? Quem poderia explicar? Ainda que sejam repercussões sobrenaturais, ver um imbecil pagando por seus pecados é realmente libertador e repito: um ato de justiça!

É claro que a justiceira aqui não se enquadra bem nos moldes de Madre Tereza. É muito provável que ondas de ódio me persigam por ai também. Eu só estou defendendo meu direito de ter sentimentos pouco nobres, desejar a morte, imaginar atos cruéis com as pessoas perversas desse mundo sem me colocar no mesmo nível de perversão. Embora todos estes desejos malignos listados sejam nada mais, nada menos do que perversão não assumida. Enfim, eu quero ir pro Céu, mas odiar e desejar vingança é inevitável. É humano, até. Claro, que é também um dilema a ser superado em uma existência inteira. É só não esquecer o bom senso e desejar o mal só por catarse e a quem merece penar nesta terra. Então fica assim: Naõ precisa ultrapassar os limites e limite eu obedeço bem porque, graças a Deus, mamãe me fez neurótica! Pelo bem dos odiados por mim, a culpa que me consome arrefece meus impulsos assassinos (além do medo de ser molestada por lésbicas na cadeia). É isso. Absolvida!

domingo, agosto 30, 2009

Amigos, amigos, outras relações à parte!

“…É fácil assumir uma posição a respeito de alguma coisa quando não há risco nenhum. É fácil dar esmola prá um pobre se você guarda o resto do dinheiro prá você. É fácil tomar posição contra a guerra, desde que ninguém peça que você se sacrifique…”
(ANOS INCRÍVEIS)
É muito raro encontrar alguém na vida que nos acompanhe, que nos dê amparo, que nos escute e que permaneça no mesmo caminho conosco, mesmo pensando diferente e se construindo diferente. É incrível como passamos uma vida inteira buscando pelo amor verdadeiro e sem lograr muito êxito, mas ninguém demanda tempo e investimento em busca de uma amizade verdadeira. Elas acontecem, simplesmente, por sorte ou acaso. E olha que amizade verdadeira existe, é um fato, já a existência do amor verdadeiro é questionável, a menos que o relato da Cinderela sirva de dado factual.
A amizade exige muitas outras coisas além da presença, dos bons momentos compartilhados. É uma relação de suporte, que dá respaldo pra construção de milhares de outras relações. Que nos torna melhores, mais fortalecidos e mais humanos. Se há uma coisa que me entristece profundamente é como na dinâmica dos relacionamentos a amizade sustentadora não se constitui como algo desejado e como se torna a primeira coisa preterida frente a outras ligações afetivas.
A amizade perde em quase todas as batalhas no campo minado do amor ao próximo. Perde pros namoros recentes, pros namoros mais longos, pra família dos homens ou mulheres da vida de nossos amigos, pros amigos dos homens ou mulheres da vida de nossos amigos, enfim, pura conseqüência do fenômeno da carceragem consentida. É uma pena, mas é também um dado da realidade social. E por ser um fato da realidade social gera acomodação, resignação, a sensação de estar em meio a mais uma luta vã.
Tá! Tudo aqui tá parecendo meio generalizado e exagerado? Força do hábito e desgosto engasgado. Pura insatisfação manifestada num tom de contestação e desânimo pela falta de energia e motivação pra combater um fenômeno cultural. Por minha parte, digo que meus amigos são minha fortaleza, meu crescimento de todo santo dia de batalhas ganhas e perdidas, meu investimento consciente e calculado a partir de um desejo de ser uma pessoa melhor pra mim e pra eles. Não porque me sobra afeto, mas porque luto pra cultivar o bem querer deles mesmo quando não estou satisfeita ou quando não concordo com algumas posturas. Porque o que há em mim é um amor crescente e otimista e quase sempre compreensivo, cheio de uma vontade enorme de que eles entendam que eu quero sustentar nosso crescimento juntos, sob qualquer circunstância!

segunda-feira, agosto 17, 2009

Receita do par ideal


1 xícara e meia de carisma

2 xícaras de gentileza

2 gotas de brutalidade para temperar e dar o toque másculo da coisa toda

¼ de charme

¼ de beleza

1 l de inteligência

1 pitada de porte italiano

Senso de humor a gosto (ou à vontade, eu diria)

Modo de preparo

Despeje um pouco de essência de glamour feminino e pincele com beleza e graciosidade. Deixe cozinhando em banho-maria por 10 dias, alternando entre a atenção exagerada e total desprezo (o tal reforço intermitente na Psicologia Experimental). Não deixe passar do ponto, aparecendo sempre que necessário e sempre no momento mais oportuno. Seja engraçada, mas não inconveniente. Adicione porções consideráveis de compreensão e empatia pelas vicissitudes masculinas e agregue conhecimentos sobre esportes em geral, sobretudo, futebol. Sirva morno, nem frio, nem quente, o meio-termo é sempre mais agradável ao paladar.

Bom apetite!

Quem dera se fosse simples como uma receita culinária. Mas poderia ser!

sexta-feira, agosto 07, 2009

Soluções simples para uma vida harmoniosa


Conviver harmoniosamente com as diferenças é um dom. Nós, mulheres, conhecemos bem as vicissitudes de nosso humor e comportamento. Às vezes não admitimos, só pra não perder o controle da situação, mas há o reconhecimento de nossas loucuras, sim. Mas também é preciso perceber que em algumas situações falta um pouco de sensibilidade humana, o que pode causar grandes catástrofes. Eis aqui algumas dicas para não irritar a raça feminina no cotidiano.


Nunca, jamais pergunte a uma mulher de cara amarrada se ela está chateada. A expressão facial quase sempre oferece sugestões óbvias e bem claras de linguagem não verbal. E claro, que em virtude de alguns hormônios como estrogênio e progesterona ela pode estar mesmo de TPM, pode estar cansada de um dia exaustivo de trabalho, pode ter perdido o emprego, brigado com o namorado, ex-namorado, amante, marido, mãe, atropelado um cachorro ou mesmo estar com cólicas. Portanto, na dúvida, não ultrapasse o bom senso e não faça perguntas cretinas. No máximo, ofereça um chocolate, mas não explique o motivo da oferta.


Nunca, jamais paquere uma mulher enquanto você estiver em uma situação mais confortável que a dela. Ou seja, se você estiver dentro de um carro e ela estiver sob chuva torrencial ou sol escaldante nem tente dizer uma gracinha. Provavelmente o sentimento despertado seria raiva e não vaidade. Afinal, o sujeito que presenciar seu cabelo "indo por água abaixo" ou "desmanchando" merece morrer por saber demais (queima de arquivo na linguagem policial). Além do mais, ver o cara fazendo elogios nestas condições soaria irônico. Também não ofereça carona (eu sei que esta solução foi cogitada). Ela não aceitaria: primeiro porque ela não pode falar com estranhos e segundo porque, novamente, soaria irônico ou debochado. Aparência e auto-confiança estão mesmo intimamente ligadas.


Nunca, jamais, por mais intimidade que exista informe a uma mulher que ela está acima do peso, com uma espinha na cara ou precisando de um corte de cabelo. Como já dito, algumas de nós têm bom senso, espelho em casa e percebem quando as roupas não servem mais, quando o cabelo está detonado e quando os cosméticos não dão mais conta do estresse que corrompe o frágil corpo feminino.


Nunca, jamais, em tempo algum diga diretamente a uma mulher que ela não passa de uma doida -desesperada. Tomar consciência das nossas condutas histéricas sem estar em terapia pode ser um choque irrecuperável, quase um portal para o rompimento com a realidade objetiva. Por isso, seja sensível, sutil, use um eufemismo se for mesmo muitíssimo necessário proferir alguma insatisfação, mas nunca vá direto ao ponto. Ela gritaria com você de qualquer forma e ficaria profundamente magoada mesmo que você só dissesse que ela anda meio alterada ultimamente. Melhor não comentar nada. O segredo é ter empatia.


Nunca, jamais, nunquinha mesmo, ainda que você esteja com ódio mortal da desgraçada diga a ela, ou sequer sugira que sua ex-namorada é mais bonita, ou mais engraçada, ou mais compreensiva, ou mais humana, ou mais magra (ou qualquer outra comparação que beneficie a outra) do que ela. Isso é uma ferida narcísica profunda e leva anos de análise para ser superada. Ela vai se remeter a isso em todas as brigas, em todos os momentos de calmaria, quando encontrar com a macaca no shopping, na lua-de-mel em Paris, enfim, um fato relembrado a vida inteira. Numa briga, quando o ódio no coração não puder mais ficar guardado, grite que quer que ela morra. As possibilidades de perdão são maiores.


É válido ressaltar que algumas dicas se respaldam em acontecimentos auto-biográficos e outras se baseiam na natureza inventiva desta cabeça doente e cheia de clichês de seriados. Mas o que conta aqui é o propósito final, que nada mais é do que a paz mundial. No fim das contas não custa nada tentar.

sexta-feira, julho 31, 2009

Sobre os "caras legais"


Os caras legais são definitivamente um problema difícil de superar. Sei que se comparados aos "bad boys" não há o que temer, não há sequer graça ou aventura neles, mas tudo é só questão de perspectiva e da mistura certa. Portanto, quando falo em "cara legal" refiro-me àquele sujeito extremamente gentil e atencioso, mas também inteligente e com um senso de humor interessantíssimo. Ainda não enxergam o perigo? Pois bem. Na minha opinião os "caras legais" são extremamamente sedutores, astutos e uma incógnita. E o pior de tudo: o charme dessas pessoas é diretamente proporcional ao efeito ansiogênico que provocam.

Se pensarmos bem, os "caras legais" possuem uma estratégia reconhecidamente eficaz, fato que os coloca em uma situação bem mais confortável e segura ao mesmo tempo que nos deixa confusas e sem senso algum de direção. A natureza gentil (e sedutora) deles é dúbia, mas isso é parte constitutiva da "energia atrativa" que estes seres emanam ou pode ser tão somente gentileza despretensiosa; só a busca por uma vaguinha no céu. Quando podemos saber a diferença? Nunca! Talvez alguma luz, ainda que fraquinha e não confiável,vinda de um mapa astral ou aproximações interesseiras dos melhores amigos do "cara" possam direcionar alguma conclusão mais superficial, mas ainda assim tudo é só possibilidade e nada mais. Nada é certo. Nada é seguro.

Se eles estão realmente interessados em uma aproximação mais calorosa o "jeito-cara-legal-de-ser" é a deixa para a justificativa: "os sinais estavam lá o tempo todo. Você que não percebeu". Ponto pra eles. Se eles não estão interessados no amor que você tem pra dar vem o argumento: "Você entendeu tudo errado. Eu trato você bem porque sou legal. Desculpe". Ponto pra eles de novo. Até aí são 2x0 e você só tem mais uma vida, qualquer passo fora do lugar e GAME OVER!

Acho mesmo que nestas circunstâncias um guia ou um manual de sobrevivência seja necessário. Sugestão para títulos: CARAS LEGAIS: DECIFRE-OS OU ELES TE DEVORAM; CARAS LEGAIS SOB A PERSPECTIVA DOS CARAS LEGAIS; CARAS LEGAIS: MELHOR NÃO TÊ-LOS, MAS SE NÃO TEMOS, COMO SABÊ-LOS?; TRATADO SOBRE OS CARAS LEGAIS ou ainda CARAS LEGAIS À LUZ DA DIALÉTICA MARXISTA ou COMO NÃO SER OPRIMIDO POR UM CARA LEGAL. De verdade, solicito um estudo de caso urgente!Para o bem da nação e dos corações apaixonados e partidos. Essa é definitivamente uma causa humanitária.

sábado, julho 25, 2009

Sobre como ser um brócolis


"Você passou e riu. Me faz pensar que sim! Sempre quero alguém que jamais olhou pra mim"
VOCÊ TEM: GRAM

Ah! Então eu entendi tudo errado? Eu interpretei os sinais equivocadamente, foi isso? Droga, eu sempre recaio sobre os mesmos erros! Quer dizer que aquele filme que você sugeriu e me emprestou - que por sinal, detestei - não foi porque você queria saber minha opinião ou porque quis compartilhar algo pessoal comigo. E você tem namorada, não é? Não sabia! Quer dizer: eu não perguntei e você nunca disse porque não me deve satisfações, já que não faço parte da sua vida como supunha.
Nossa! Preciso sentar. Não sinto mais minhas pernas, o chão desapareceu sob meus pés e eu estou congelando. Tá frio aqui, não tá? Ou essa é só a estranheza do constrangimento? Eu me apaixonei de verdade por você, sabia? Por sua gentileza, seu senso de humor, sua inteligência. Só esqueci de averiguar se isso faria parte da sua realidade também! Esqueci de testar minha fantasia. Então era tudo platônico mesmo. Puta que pariu! Eu sempre faço isso, essa loucura toda. Tem um transtorno mental desse tipo, não tem? Erotomania, o nome, eu acho. Ou será que eu inventei isso também?
Bom. Já vou. Desculpa pelo incômodo e por minha oligofrenia, tá? A gente se vê. Ou melhor, não! É que vai dar trabalho desmontar o mundo lilás que construí pra nós dois: nosso noivado, casamento e tudo mais. Vai ser mais difícil com você por perto, entende? Não sejamos amigos, então. Preciso elaborar o luto. Vou fazer melhor, vou fingir que tudo isso não existiu. Refiro-me a essa conversa, porque o resto não existiu de fato. Eu nem sou humana!Eu sou um brócolis, na verdade. Já que, ao que parece, sou muito boa pra criar fatos e personagens, vou utilizar esse dom a meu favor pela primeira vez na vida. E não olha pra mim assim! Eu vou sobreviver. Eu sempre sobrevivo!

domingo, julho 19, 2009

Sobre rejeição e outros dilemas cotidianos


"Não foi capaz de sentir a dor de um não".
ANTES DO FIM: GRAM

E quem não tem medo da rejeição? Esse bicho-papão que não discrimina sexo, raça, auto-estima, religião ou situação econômica. Tiram-se do bolo dos medrosos apenas os narcisistas (pelo menos aparentemente, já que ao que todos os referenciais inconscientes e crenças disfuncionais indicam, eles têm bem mais medo do que nós; os inseguros e mortais).

No fim das contas, todo ser humano, em menor ou maior grau, tem medo de não conseguir suportar um não, um abandono, um "não te quero, gato(a)" e tenta se defender a qualquer custo; seja agindo como um louco sufocador ou mantendo tudo o que é de ordem afetiva com distância e indiferença.

Rejeição é um monstrinho difícil de suportar em qualquer circunstâcia. Se é você quem rejeita a culpa consome todos os seus pensamentos e tudo o que passa por sua cabeça são idéias de auto-flagelação por magoar o próximo (para os não-perversos e cristãos, nessa ordem, ou não) do tipo: "eu não sou uma boa pessoa"; "eu não mereço uma boa pessoa"; "eu mereço queimar no fogo do inferno". Você até preferiria ser a pessoa rejeitada pra se livrar do peso do remorso se não fossem as recordações do quanto se sofre quando não lhe querem, quando a reciprocidade não faz parte de sua vida, e neste caso, os pensamentos recorrentes são de total desprezo por si mesmo, tais como: "eu nunca fui amado(a)"; "eu sou a escória da humanidade"; "Porra! Até o Príncipe Charles tem alguem que diz amá-lo e eu não".

Moral da estória: com rejeição não se brinca! É uma massacre impiedoso. Mas há um jeito de evitá-la: afastar-se de toda experiência afetiva existente e viver como um fungo ou uma ameba, ou qualquer ser vivo, porém, descerebrado e sem consciencia de sua realidade. Por outro lado, caso você seja corajoso, pode ir fundo, sem reservas, como um bêbado dirigindo um caminhão no escuro e viver suas experiências sem pensar no que vem depois, sem pensar no coração partido e remendado milhões de vezes, sem pensar na desidratação que será consequência de todas as lágrimas vertidas por um ser-sem-coração, sem calcular nenhum dano iminente. Talvez esteja aí a graça de viver: a emoção de sempre ter que escolher entre se preservar e exixtir miseravelmente ou viver intensamente, mas cheio de fraturas expostas. Infelizmente não se pode ter tudo nessa vida!

sexta-feira, julho 10, 2009

O eterno retorno..

Sei que isso aqui está entregue às moscas. É que passei uns dois anos no ostracismo, escrevendo textos estritamente científicos e necessários à minha formação profissional. Tudo por mero interesse acadêmico. Acho que perdi o tom, a destreza em escrever por prazer e diversão. Também passei dois anos duvidando das minhas supostas habilidades para a escrita e confesso que foi uma forma indolente de racionalizar o abandono a este espaço do qual gosto tanto. No entanto, refletindo um pouco sobre a arte de entreter os outros com palavras, comecei a questionar um pouco mais que o habitual essa minha insegurança paralisante e cheguei a linda conclusão de que eu não preciso me enquadrar ao perfil Gabriel García Márquez pra poder manifestar meus pensamentos mais absurdos e desnecessários (até mesmo porque seria muita pretensão da minha parte e ainda me sobra bastante humildade pra admitir que eu não chegaria a unha de seu dedão do pé esquerdo nem em cem anos...de solidão – perdão pelo trocadilho infame). Agora voltando ao foco e raciocínio: pensando bem eu até tenho alguns atributos tímidos. Então, se eu tenho imaginação para pensar sobre as coisas mais absurdas do universo, gosto de escrever sobre elas, sei até um par de regras de português e às vezes utilizo minha criatividade a meu favor. Sim! Eu sou uma escritora também! Não da maneira glamurosa e intelectualmente estimulante. Não com aquelas frases de efeito que fazem seu cérebro virar ao contrário dentro do crânio e te deixam umas duas semanas pensando sobre o sentido da sua existência. Não que eu escreva coisas que vão ser citadas no status do msn pra impressionar. Mas eu posso proporcionar às pessoas que venham a se identificar com alguma baboseira escrita um sentimento de pertença a um mundo, por vezes, tão inadequado. E é diante desta perspectiva política e altruísta que retorno (de verdade) ao meu espaço de divagações e compartilhamento das agruras da vida real. Mais uma vez ressurgida das cinzas da minha preguiça, saio da fase de latência para proporcionar diversão e crescimento...a mim mesma. Por que não?

terça-feira, dezembro 23, 2008

O fim de uma era...


Esse é o último ano da nossa jornada rumo à vida adulta. Foram cinco anos e meio de muitos conflitos vivenciados e superados, na medida do possível. Mas o que seria de nossas vidas sem as tão fortalecedoras contradições? Não é assim que somos? Contraditórios em essência pra poder suportar e superar esse mundo de exigências tão cruéis?

Somos uma equipe que muitas vezes esteve no olho do furacão e, ainda assim, mantivemos o respeito e a diplomacia, condições essenciais para uma boa convivência. O que importa é que nos gostamos e nos sentimos bem juntos. O fato é que construímos bons momentos e boas histórias pra contar. Protagonizamos com tanta dedicação um roteiro tão nosso e tão particular, tão cheio de criatividade que nossos personagens deixaram marcas por onde passaram. É certo também que formamos um grupo cansado de tantas lutas, mas um grupo coeso, mesmo que colado com superbonder.

Depois de tantas experiências compartilhadas, este é o primeiro Natal que passamos juntos pra selar o fim de um ano sobrecarregado de expectativas, movimentos de reaproximações e saudosismo. Porque é bom sentir saudade daquilo que marcou nossa história. Depois de uma vida compartilhada, fica difícil compreender as mudanças que virão e mesmo assim, não é nada difícil desejar sucesso, bons sentimentos, boas vibrações e direcionar seus melhores pensamentos pras pessoas que mudaram sua forma de ver o mundo.

Que essa união de diferenças seja nosso porto seguro em muitas ocasiões, que o “Terceirão” ou os “Psicrazy” mantenham a fé nas possibilidades e que nosso “Infinito Particular” seja construído ao longo dos dias que ainda dividiremos.

Pelos dias que vivemos e pelos dias que virão, que as lembranças de tudo o que fomos se concretizem em nossos melhores desejos e fortaleçam a nossa amizade.

Um Feliz Natal e um 2009 de realizações, sucesso, boas surpresas e afeto dos que amamos...